Estudo da CNT diz que sinalização de estradas federais melhorou no Brasil


A sinalização nas rodovias federais em todo o país obteve uma melhora nos últimos sete anos, apesar da redução de investimentos no período e nem todas as metas estipuladas terem sido alcançadas. É o que conclui um estudo divulgado nesta terça-feira (24) pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Para os caminhoneiros, o sentimento é de que as estradas estão melhor sinalizadas, mas eles afirmam que os problemas vão muito além disso. A pesquisa, no entanto, não traz dados específicos por Estados. A CNT justifica que esse recorte não é possível de ser feito devido à falta de transparência dos órgãos envolvidos.

O levantamento fez uma análise do programa BR-Legal, criado em 2013 pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), com o objetivo de aprimorar  e padronizar a sinalização das estradas federais. Em muitas localidades, de acordo com o órgão, era possível ver placas de trânsito fora do padrão nacional, um problema que o programa busca corrigir. A expectativa era de que a ação fosse encerrada em 2018, mas segundo a CNT, o prazo foi estendido para 2021, devido a atrasos na execução. 

 De acordo com o superintendente da CNT, Bruno Batista, a liberação orçamentária é um dos principais entraves para a conclusão do programa. “O orçamento destinado às rodovias de uma forma geral é instável e está em queda desde 2010. Com menos recursos, os órgãos executivos acabam tendo que priorizar algumas ações e o BR-Legal foi afetado por isso. Em 2018 foram investidos em programa de sinalização algo em torno de R$ 650 milhões e em 2019 esse volume caiu para R$ 282 milhões, uma queda superior a 50%”, afirma.

No total, o orçamento previsto para a execução de todas as ações do BR-Legal é de R$ 4,47 bilhões, mas até 2019, R$ 3,12 bilhões foram aplicados, o que representa 63% do que foi previsto. 

Trechos prioritários

A CNT defende no estudo que a sinalização adequada é uma das chaves para a redução de acidentes. Um problema identificado pelo órgão é de que o BR-Legal não priorizou os trechos mais críticos. “Rodovias em que falta uma placa de limite de velocidade, o número de óbitos chega a ser duas vezes maior do que as bem sinalizadas. A sinalização é o fator prioritário para a manutenção da segurança. Então faz todo sentido começar a prevenção nos locais críticos de acidentes. O que não foi priorizado e é preocupante”, pontua Bruno Batista.

O estudo também recomenda que os processos de fiscalização sejam aprimorados e que os atrasos de execução sejam resolvidos para aprimoramento do sistema.

Falta de transparência

A pesquisa divulgada pela CNT começou a ser elaborada em abril deste anos. De acordo com Bruno Batista, não é possível fazer um recorte sobre a situação em cada Estado, devido à falta de transparência das informações. “Infelizmente existe uma carência de transparência na divulgação dos dados. Não é por falta desejo, mas por uma carência mesmo dos dados disponibilizados.

Na estrada

O caminhoneiro Jorge Luiz Perez, 62, que roda as estradas do país há 43 anos, afirma que percebeu uma melhora na sinalização, mas as condições das rodovias ainda deixam a desejar. “A sinalização melhorou, tem bastante. Onde tem curvas, serra, declive, a gente percebe que tem bastante sinalização. Mas as estradas não estão boas. Muito buraco, no final de ano eles arrumam tudo, mas passou disso fica uma porcaria”, afirma.

O caminhoneiro Milton Martins Ramos, 63, também concorda que a sinalização melhorou, mas reclama dos valores dos pedágios. “A sinalização melhorou bastante. Tinha pouca sinalização e muitas pistas estavam abandonadas. Agora, o pedágio é o que mais pesa no bolso e cada dia constroem mais”, reclama.

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