Enquete sobre mineração na serra do Curral é suspensa após possível fraude

Após cinco dias com mais de 97% dos votos contra a mineração na serra do Curral, a enquete aberta no site da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) viu a porcentagem daqueles que eram favoráveis à exploração do monumento natural passar de 3% para 21% em uma tarde. A suspeita de fraude acabou levando à suspensão da votação, conforme divulgado pela Casa nesta quarta-feira (25). 

Na terça-feira (24), a ALMG recebeu denúncias de ambientalistas de que a votação a favor da mineração no local apresentou “aumento expressivo, brusco e em curto espaço de tempo”. “O setor de informática da Casa identificou que todos os votos mencionados partiram de um único IP. Diante deste cenário, tornou-se necessária a suspensão da enquete para análise”, disse em nota a assembleia.

Ainda conforme a Casa, isso não invalida ou finaliza a pesquisa, que deverá ser retomada após a avaliação de técnicos responsáveis ser concluída. ‘Casos semelhantes já foram identificados em outras ocasiões e o protocolo adotado foi o mesmo”, finaliza. 

O urbanista professor da UFMG e integrante do movimento “Tire o pé da minha Serra” Roberto Andrés conta que os ambientalistas participantes acompanhavam a enquete e, até mesmo, já imaginavam que algo semelhante poderia acontecer. 

“Até o início da tarde de ontem (terça) os votos a favor da mineração estavam em menos 3%, cerca de 600 votos. No início da noite, chegaram a quase 10 mil votos. Foi muito estranho, com cara de ter robô, exército digital”, pontua. 

O movimento também fez uma denúncia com o objetivo de tentar identificar o IP responsável pela votação em massa, para saber se foram várias pessoas ou se um robô foi utilizado para fraudar a votação, que sequer tem algum valor legal. 

“A verdade é que isso apenas contribui para o descrédito da empresa de mineração. Já vimos tantas irregularidade no processo do Copam e, agora, essa tentativa de fraude na votação da enquete mostra a índole dessas pessoas. É importante eles saberem que a sociedade está atenta a isso e vai cobrar uma apuração”, finaliza Andrés. 

Serra pode perder título

Mais cedo, foi divulgado que a serra do Curral pode perder o título de patrimônio da humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). É o que alerta o Núcleo de Minas Gerais do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), caso aconteça a exploração de minério no cartão-postal de Belo Horizonte. 

Um pedido de Alerta Patrimonial, conhecido como Heritage Alert, foi feito na semana passada em Paris, na França, e será referendado na próxima sexta-feira (27), na capital mineira. O Icomos é uma instituição assessorada pela Unesco. 

(Com Vitor Fórneas)

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