Durante a pandemia, povos tradicionais do Norte de MG enfrentam o vírus e a fome


Nas suas andanças por Brasília de Minas e arredores, na Região Norte de Minas Gerais, o gestor cultural José Ricardo Simões percebeu que as consequências da pandemia na comunidade de artistas populares e artesãos dos povos tradicionais e quilombolas iam além da perda financeira que eles tiveram com o cancelamento de apresentações culturais e de feiras de artesanato. Para piorar a situação já complicada, essa população não tem acesso aos recursos dos auxílios emergenciais e aos meios digitais, já que grande parte dos moradores não possui acesso à internet, além de muitos não terem CPF e morarem longe de centros urbanos ou agências bancárias.

Por isso, há pouco mais de um mês, a Associação Trupe, que atua em Brasília de Minas desde 2013, lançou uma campanha de financiamento coletivo para angariar recursos para essas famílias atingidas pela pandemia e pela fome. O objetivo é arrecadar R$ 10 mil até 10 de setembro, quando a iniciativa tem o prazo encerrado. Até a manhã desta sexta-feira (28), a “Juntos Com o Norte de Minas Pela Vida” já havia arrecadado 39% do valor. Para participar da campanha, acesse este link.  

“Nossa primeira meta é atender Brasília de Minas e São Francisco. São sete comunidades quilombolas, queremos arrecadar cestas básicas, produtos de higiene e equipamentos de proteção individual, como máscaras, para 500 famílias”, explica Simões. As comunidades reúnem, em sua maioria, artesãos, mas com a pandemia eles estão impossibilitados de apresentar seus trabalhos na feira de Brasília de Minas, que está fechada desde março.

A região, que já carrega uma das menores taxas de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado, também sofre com a incidência da Doença de Chagas. “A maioria dessas famílias está dentro do grupo de risco por idade ou por comorbidade”, destaca o gestor cultural.  José Ricardo Simões diz que a Associação Trupe já se inscreveu em editais do governo de Minas, mas esbarra em burocracias. Em abril, as comunidades foram atendidas com cestas básicas em uma ação da Defensoria Pública de Minas Gerais, mas desde então Simões afirma que as famílias vivem com muita dificuldade e recorrem à agricultura para enfrentarem a fome.

“Nossa região é muito pobre. Os poucos espaços de geração de emprego e renda estão fechados. Não nos resta outra fonte que não sejam as autoridades estaduais e federais. Queremos programas de auxílio menos burocratizados e que cheguem ao Norte de Minas, às zonas rurais. O interior de Minas está pedindo socorro e nossa sensação é a de que o país está jogado às traças”, lamenta Simões.

Pandemia também interrompeu cursos e atividades

A Associação Trupe atua na área cultural e de direitos humanos em Brasília de Minas desde 2013. Com ajuda da prefeitura e de doações, o coletivo mantém a Casa de Cultura Contendas, onde oferece, de forma gratuita, cursos de teatro, música, de idiomas (espanhol, inglês e francês). “Contamos com um programa de voluntariado estrangeiros, recebemos pessoas dos cinco continentes. Temos 1.300 alunos matriculados, mas o projeto está parado desde o início da pandemia”, conta José Ricardo Simões. 

 
 
 
 
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🌼 Dançadeiras do Quilombo de Buriti do Meio🌼 ✴️Nossa campanha tem a meta de arrecadar R$10.000,00 para ajudar mais de 100 famílias nas seis principais Comunidades Quilombolas na região de Brasília de Minas e São Francisco. 🆘Para doar qualquer valor e ajudar a nossa causa, clique no link em nosso perfil ou acesse www.benfeitoria.com/nortedeminaspelavida.🆘 #JuntoComoNortedeMinasPelaVida #BrasiliadeMinas #Quilombolas #MinasGerais

A post shared by Casa da Cultura Contendas (@trupebrasiliademinas) on Aug 20, 2020 at 3:45pm PDT



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