Doença mental e preconceito

O preconceito entre os seres humanos é chocante na nova sociedade mundializada. Há o preconceito com relação à cor da pele, a determinadas profissões, a preferências sexuais e, entre tantas outras, à doença mental.

Eufemisticamente, ela é tratada como sofrimento mental, o que é uma forma de preconceito, pois todos os seres humanos, no decorrer de sua existência, passam por sofrimentos mentais. Quem em sua vida já não passou por alguma situação de sofrimento mental, seja ela tristeza, melancolia, angústia, depressão, frustrações profissionais, perda de um ente querido, desemprego, rixas familiares e outras tantas?

Essa doença (doença mental), que aflige milhões de seres humanos no mundo, tem aumentado, segundo várias pesquisas realizadas por especialistas da área da saúde. Por mais incrível e absurdo que possa parecer, alguns médicos psiquiatras, além de psicanalistas e psicólogos, tratam com preconceito aqueles que têm essa doença, o que é abominável e repugnante em todos os sentidos. São tratados (os doentes mentais) como coisas, objetos, não como seres humanos que precisam de ajuda.

Os manicômios, originalmente gerados no lugar onde eram tratados os que tinham lepra/hanseníase, na realidade, eram depósitos de doentes mentais, que ali eram “tratados”; eram campos de concentração travestidos de tratamento a esse tipo de doentes.

Quem tem algum parente ou mesmo conhecido com doença mental sabe o que representa lidar com essa pessoa.

Todavia, hoje existem medicamentos potentes e de última geração e outras formas de tratamento que podem contribuir com muita eficácia para cuidar desse tipo de doença, pois essas pessoas trazem em seu íntimo, âmago, a dor da doença mental.

Mesmo assim, muitos familiares não têm a dedicação e compreensão para lidar com pessoas com essa doença. Que elas incomodam, é fato, mas não é marginalizando-as e as tratando com preconceito e intolerância que elas conseguirão ajudar esses seres humanos que lutam contra essa doença. Essas pessoas precisam muito ser consideradas em sua singularidade, em sua potencialidade criativa e em sua perspicácia para que possam ter uma vida digna, inserida em todos os aspectos do conviver em sociedade.

Muitas vezes a impotência para se conviver com essas pessoas não se ajusta de forma harmoniosa, e sim disforme frente à sociedade e às pessoas ditas normais e integradas ao modo de produção capitalista. É importante salientar que essas pessoas não têm culpa de serem “as escolhidas” para carregar esse suplício que lhes é impingido, causando-lhes grande sofrimento.

Devemos encarar com amor, respeito, solidariedade e despojamento para ajudá-las, e não subjugá-las à desumanidade e crueldade de uma sociedade de classe, em que o que impera são a desumanização e a coisificação do ser humano em todos os sentidos.

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