Devemos temer por nossas filhas



Estaríamos cercados de zumbis, vampiros e lobisomens a serem combatidos por armas de fogo, estacas de madeira e balas de prata? Afinal, de onde brotam tantos homens violentos e incapazes de se controlarem diante das mulheres?

A ministra Damares faz da luta contra o feminicídio sua cruzada pessoal e religiosa. Mas, embora pense enxotar o diabo pela porta da frente, eis que ele volta pelo fundo, pois ali mesmo onde supõe combatê-lo, ignora, convenientemente, suas razões e desígnios. O feminicídio é apenas a ponta do iceberg, cuja base invisível costuma ser reforçada por crenças que supomos servirem para combatê-lo. O paternalismo infantilizante, ao ser travestido de cuidado à mulher, fundamenta o pensamento misógino do qual emergem tantos assassinos, estupradores e abusadores.

A ideia de que a mulher é propriedade do homem está tão viva hoje como há séculos. A suposta proteção da mulher não vem sem o preço da submissão ao desejo do “protetor”. Sabemos das enormes conquistas femininas, mas basta um arranhãozinho no esmalte tosco do politicamente correto e veremos as reais impressões dos sujeitos. 
Leia mais (07/16/2019 – 02h00)

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