Desafios e frustrações no caminho do empreendedorismo social na base da pirâmide

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Desafios e frustrações no caminho do empreendedorismo social na base da pirâmide
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A Plano CDE, como consultoria responsável pela elaboração dos relatórios do Prêmio Empreendedor Social 2017, esclarece alguns pontos sobre o vencedor da categoria Escolha do Leitor, a empresa Saladorama.

Para explicar o trabalho desenvolvido e os critérios adotados, consideramos importante relembrar alguns aspectos do contexto do empreendedorismo social no Brasil.

Todo empreendedorismo começa com um sonho. É comum ouvir de investidores que o empreendedor é alguém que “vende uma fantasia”, consegue levantar investimento e só depois vai torná-la realidade. Às vezes, este sonho demora muitos anos para poder se concretizar, e é precedido por inúmeras tentativas frustradas.

As histórias de fracassos anteriores, quando contadas por jovens líderes de startups no Vale do Silício, são amiúde relatadas como um “orgulho” de suas derrotas, como se isso fizesse parte de seu currículo e fosse fundamental para seu crescimento e experiência. 

Acontece que o empreendedorismo social é ainda mais complexo que isso. Enquanto o empreendedor tradicional costuma encontrar uma oportunidade em uma demanda, ou seja, pessoas que estão dispostas a pagar por um produto ou serviço, o empreendedor social costuma ir atrás de uma necessidade. Por exemplo, ele quer melhorar a educação no Brasil, mas não sabe quem vai pagar esta conta. Ainda, quer disponibilizar um serviço de reciclagem, mas não encontra as formas de “fechar as contas”.

Vários exemplos, incluindo vencedores e finalistas do Prêmio Empreendedor Social da Folha, demonstram esta lógica.

O Vivenda descobriu a necessidade de melhorar as casas de famílias que vivem em favelas. Depois disso, buscou investidores e tentou diversos formatos de modelo de negócio para torná-lo viável.

O mesmo pode ser dito sobre o Dr. Consulta ou muitas outras startups de empreendedorismo social. Primeiro vem o sonho, depois busca-se um modelo de negócio e investimentos que tornem aquele sonho viável e resolvam aquela necessidade não atendida.

Porém, alguns empreendedores sociais têm o sonho, mas não têm o acesso a investidores. Esse é o caso da grande maioria dos empreendedores sociais de base, pessoas oriundas de periferias, que percebem carências não atendidas, têm anseio de resolver as necessidades e vão atrás desta quimera com os escassos recursos disponíveis que têm.
Leia mais (12/01/2018 – 08h00)

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