Das verdades alheias e do ser: reflexão sobre a pandemia

Fonte: Pixabay

Por Marlon Nunes

@marlonkrenak

Difícil sabermos o que não acontecerá após a pandemia. De toda a historicidade metafísica de um ideal. Fora toda a razão instrumental. O ser desenvolve-se castrado. Flui como a técnica. Gera conflitos e arma-se contra toda a sorte do universo. Exclui-se a si mesmo. Ah, o Ser… O que haverá de ser? Das covardias e dos mais fracos? Acreditar ainda se faz incapacidade. Reluz tudo o que se fez do próprio pensamento. Da criação nada mais é gerado, a não ser a estupidez. Todos em busca da resposta fugaz. Das verdades alheias e do ser. Da mais-valia do valor econômico. E o valor? Aquele de classificar-se como sim ou não. Da supérflua existência. Dos simulacros que refletem o narcisismo coletivo. Dos ricochetes cinematográficos e da regra. E a exceção? Por onde ela estará? Perdida na confusão das relatividades in-temporâneas. Da violência e da fraqueza do que se faz sob o Bem e o Mal. Da divisão fragmentária do corpo e da mente. E assim vai a nossa incapacidade de pensar o que não foi pretendido. A reprodutibilidade do objeto. A paz de quem não quer mais compartilhar a harmonia. As cordas, os sons… O embate. A vida é. É constituída de elasticidade. O vai e vem de quem não se conforma e assim se expressa: na escrita, na pintura, na palavra, na imagem em si, no sexo ou na fome. A dor de carregar mentiras. As mentiras da virtualidade de quem não consegue enxergar a cegueira das luzes de Wall Street. Aquela velha dialética da cumplicidade inorgânica. Ah, o Ser… Ainda saberemos o que foi feito dele em sua extemporaneidade. Da continuidade na macro e na microfísica. Do poder ter. Da solidariedade que vem através do interesse que nos compõe em notas que oprimem. Os tigres de papel. A ingenuidade do matuto. O Ser na complexidade dos seres, mas que resumidos parecem um só dente. Podre sedução da alma que se desfaz nas rizomáticas infelicidades do sistema. E que por isso insiste no radicular, na verticalidade. O que foi feito será. Nada haverá de novo abaixo do sol. Em uma única e infalível estética. O breviário contínuo da decomposição. Institucionalmente falidos estamos. Da binariedade das máquinas à extinção do corpo. O medo não é Pai, nem Mãe. Ele é o fim em si mesmo. Assola a incapacidade gerada pela influência do caminhar sobre o enaltecer a vaidade. A vida é feita no abismo da excrecência. É difícil saber da esperança. O que vai ser da ascese? Alguns, por via da abertura, do caos, outros pela religião. A proximidade do amor e da dor tanto na palavra quanto no acontecimento. O desvelamento seria a satisfação nessa armação. O querer estar presente. Livre de toda inconstância do vago mundo. Do vazio da época resta-nos a infalibilidade do mesmo. Seria preciso a insurgência da regressão. Do voltar a legitimar as raízes mais profundas diante do esquecimento. Da memória transfigurada em sufrágio. Mimese cosmológica. A fragilidade das borboletas e a força dos ursos. O que será de nós face ao utilitarismo mesquinho? A incapacidade da responsabilidade assolada pela corruptibilidade de não ser mais nada que menos humanos. Aceitar e viver tudo o que somos sem a mediocridade da existência única e quase que exclusivamente técnica. Do transformar em outro sentido a não ser o do explorar os outros seres. O compartilhar o medo em aforismos. O não seguir a linearidade bipolar das mentes sofridas da abastada política. Das prisões panópticas que nos controlam em prol de si mesmas e da diminuição da potência do simplesmente existir. Outros manifestos, outras revoluções que não sejam meramente tecnológicas. A de se buscar o orgânico da natureza. A reversibilidade da solidez líquida, pois, na contemporaneidade já gasosa. Ah, o Ser… A subjetividade do Ente (separado). Em conjunto e não a subjetividade doentia das falácias inexpressivas da clarividência. Mas a das sombras que nos trouxeram a violação de toda espécie de reificação. Ah, o Ser… O que será do nosso Ser? Ah, o Existir… O que será do nosso

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existir? A incapacidade da responsabilidade assolada pela corruptibilidade de não ser mais nada que menos humanos. Aceitar e viver, não seguir a linearidade bipolar das mentes sofridas da abastada política. Das prisões panópticas que nos controlam em prol de si mesmas e da diminuição da potência do simplesmente existir. Outros manifestos, outras revoluções que não sejam meramente tecnológicas; a de se buscar o orgânico da natureza. A reversibilidade da solidez líquida, pois, já gasosa. Ah, o Ser… A subjetividade do Ente (separado). Em conjunto e não a subjetividade doentia das falácias inexpressivas da clarividência. A das sombras que nos trouxe a violação de toda espécie de reificação. A vida é esse abismo. Ah, o Ser… O que será do nosso Ser? Ah, o Existir… O que será do nosso existir? Difícil sabermos o que não acontecerá após a pandemia.