Da lanchonete à Polícia Civil: furto de cabos se alastra em Belo Horizonte

Da segurança pública ao pastel vendido na esquina, praticamente todos os serviços e setores de Belo Horizonte já foram afetados neste ano por um crime que tem se tornado cada vez mais comum: o furto de cabos de energia. Em 2022, a modalidade ganhou novas proporções e ainda mais ousadia por parte dos criminosos. 
Somente nos primeiros três meses deste ano, na Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), o prejuízo foi de R$ 225 mil – número muito superior ao prejuízo registrado em todo o ano passado, quando autarquia teve um prejuízo de com R$ 158 mil.

A vítima da vez foi a sede do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), que teve parte da fiação levada na última segunda-feira e precisou fechar as portas para os atendimentos na unidade da rua Bernardo Guimarães, no bairro Funcionários, na região Centro-Sul da capital – que só deve voltar a funcionar totalmente amanhã.

Não bastasse a audácia de roubar a polícia, os criminosos ainda voltaram no local no dia seguinte e, mesmo diante da repercussão, levaram a fiação de uma lanchonete que fica a menos de 100 m do Detran-MG. Segundo a Polícia Militar, o suspeito subiu a laje do estabelecimento, que fica a quatro metros de altura, e furtou os fios de cobre.
Para tentar minimizar os prejuízos, o dono da lanchonete precisou arrumar novos equipamentos. “Tenho que olhar bastante coisa ainda. Há o freezer com picolé e o com salgados. Estou correndo o mais rápido possível para não ficar com tanto prejuízo”, afirmou Carlos Cordeiro, 63, que chegou às 5h para abrir a lanchonete que fica na esquina entre avenida João Pinheiro com a rua Bernardo Guimarães e percebeu o furto. 
O técnico da rede subterrânea da Cemig, Felipe Martins, explicou que os prejuízos financeiros causados por esse tipo de ação são enormes. “Só nos últimos três anos, entre 2019 e 2021, a Cemig teve cerca de 20 km de cabos de cobre da sua rede subterrânea furtados no hipercentro, ocasionando um prejuízo financeiro estimado, aproximadamente, em R$ 3,3 milhões”, contabilizou.
 
Esse tipo de situação afeta até o abastecimento de água, que depende da energia elétrica. Segundo o gerente da Unidade de Controle Operacional da Copasa, Rodrigo Ferreira Coimbra e Silva, um levantamento feito pela empresa apontou para um crescimento na média desse tipo de ocorrência.

“No ano passado, a gente observava uma média de nove furtos de cabos por mês e, agora, neste início de ano, estamos com uma média de 11 furtos de cabos por mês na nossa área de atuação”, revelou.

Furto no Detran-MG não foi desvendado

Ainda não há notícia do paradeiro dos criminosos que furtaram os fios de cobre que deixaram o Detran-MG sem luz. De acordo com uma nota atualizada ontem, a apuração sobre o caso já foi iniciada e “outras informações sobre a investigação serão repassadas em momento oportuno”.

Enquanto isso, o cerco se fecha para outros criminosos que praticam crimes semelhantes. Ontem, uma operação da Polícia Civil conseguiu localizar mais de uma tonelada de cobre que havia sido furtada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. 

O material estava em posse de três receptadores, de 25, 31 e 54 anos, que foram presos em flagrante no bairro Bonfim, região Noroeste da capital.
De acordo com o delegado Artur Vieira, responsável pela investigação, a região é o polo de quem comercializa esse tipo de produto.

“As investigações prosseguem para identificar as pessoas envolvidas nessa criminalidade, uma vez que essa região aqui, Noroeste de Belo Horizonte, é alvo desse cometimento de furto reiteradamente. E também há muitas empresas aqui nessa região que efetuam o comercio ilegal”, revela.
Além do trio e da quantidade de cobre apreendida, a Polícia Civil também recolheu dois veículos.

Crime pode ter rendido R$ 3.000

Fontes ouvidas pela reportagem, em anonimato, assumem que o lucro obtido em uma ação como a que ocorreu no Detran-MG pode chegar a quase R$ 3.000. Se, oficialmente, o quilo do cobre é comprado por cerca de R$ 40 e revendido por R$ 45 em Belo Horizonte, para os produtos roubados, o valor cai para até R$ 25. 

“Todo mundo sabe que é furada, então ninguém que tem ferro-velho compra. Geralmente, quem pega esse tipo de produto são os clandestinos que funcionam na Lagoinha durante a madrugada”, alega uma fonte que optou por não se identificar.

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