Coronavírus: Maior risco para Minas é a falta de profissionais, diz secretário


Nem a falta de estrutura, nem a de respiradores. A maior dificuldade para a ampliação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Minas Gerais pode ser a carência de profissionais. O alerta foi emitido pelo secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, durante coletiva de imprensa ontem – dia em que foi registrado um novo recorde de ocupação de leitos de UTI nos municípios mineiros: 91,93%.
A ocupação dos leitos cresce à medida que os casos de coronavírus avançam no Estado. Ontem, foram contabilizados 1.426 novos registros, totalizando 32.769 casos confirmados. O número de mortes chega a 806. “Hoje já abrimos, aproximadamente, mil leitos de terapia intensiva no Estado e estamos encaminhando 140 respiradores para vários municípios. Com isso, teremos uma ampliação no número de leitos. Mas, por outro, lado precisamos ser realistas. A realidade tem dois pontos de vista. Um ponto é até onde conseguimos chegar com ampliação de leitos. Hoje, a maior dificuldade que estamos tendo em relação à ampliação de leitos não são mais leitos no hospital ou respiradores. Estamos caminhando para uma dificuldade real de recursos humanos para ampliarmos esses leitos”, disse, sem informar detalhes.
Em Minas, existem, 46.830 médicos em atividade com idade inferior a 60 anos em 2020, segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM). O Estado apresenta o maior número de novos médicos inscritos nos Conselhos Regionais de Medicina de todo o país neste ano, até maio: foram 1.350. Minas tem, em média, 2,66 médicos por mil habitantes. O valor fica acima da média do Brasil (2,49), mas abaixo da de Estados como Rio de Janeiro (3,70), São Paulo (3,20) e Rio Grande do Sul (2,89). A presidente do Conselho Regional de Minas Gerais (CRM/MG), Cláudia Navarro, disse que não faltam médicos no Estado.</CW>
A presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren-MG), Carla Prado, acredita que é “pouco provável” que esteja faltando profissional da área no Estado, de forma geral. Ela pontua que pode haver dificuldade, no entanto, em relação a profissionais intensivistas. “Isso até considerando a gratificação concedida pelo Estado aos médicos, com a justificativa de que não tinham conseguido contratar médicos e que sempre havia reserva de profissionais de enfermagem”, afirma, referindo-se à Gratificação Temporária de Emergência em Saúde Pública (GTESP). 
Para o presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 4ª Região (Crefito), Anderson Luís Coelho, o déficit de profissionais de fisioterapia respiratória e terapia intensiva já era esperado no Estado “porque falta contratação”. Segundo ele, com a pandemia, o Crefito chegou a estimar déficit de 2.500 fisioterapeutas. “Não vai faltar profissional se houver interesse de contratação”, diz.

Monitoramento

O governo de Minas anunciou a criação do Escritório de Gestão de Leitos para monitorar e gerir internações hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Fhemig nega que faltam colaboradores

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que os serviços hospitalares são prestados pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que já contratou, até o momento, por meio de chamamentos emergenciais, 382 profissionais para atuar na pandemia.
Foram contratados médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos, farmacêuticos, nutricionistas, fonoaudiólogos, técnicos (de enfermagem, de patologia clínica, de radiologia e de farmácia) e auxiliares administrativos. A pasta afirmou que o governo “não tem medido esforços para a ampliação do quadro de profissionais de saúde no Estado” e que há, ainda, dois editais em andamento. 
Já a Fhemig informou que trabalha com capacidade plena de funcionários, que estão sendo realocados conforme a demanda da abertura de leitos no Estado. Segundo a Fhemig, atualmente, não há déficit no número de colaboradores para envio às unidades de saúde atuais ou para novos leitos.

Situação deve se agravar, diz Asthemg

A retomada de setores da economia e o aumento do fluxo de veículos trazem de volta aos hospitais pacientes das demandas corriqueiras antes da pandemia, o que agrava a situação nos hospitais. O alerta é feito por Carlos Augusto Martins, diretor da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospital de Minas Gerais (Asthemg). 
“Vivemos uma crise. O número de funcionários infectados tem subido a cada dia”, diz. A situação, ressalta, pode se agravar mais porque, entre essa “demanda normal” das unidades hospitalares, também podem ter infectados pela Covid-19. “Isso, inclusive, aconteceu nesta semana”, relata.

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