Coronavírus em Minas: maioria das empresas tem perdas acima de 50%, diz pesquisa


Quase oito em cada dez empresas mineiras estão sofrendo impactos negativos provocados pela pandemia do coronavírus na economia, de acordo com um levantamento divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG). Para 15% das empresas, os efeitos ainda devem se manifestar. A redução do volume das vendas, dos serviços prestados e da produção é o principal problema, apontado por 82% dos empresários – a maioria já registrou ou espera uma redução acima de 50%.

 “É uma queda bastante expressiva. Nós costumamos fazer pesquisas de impactos e nunca surgiu um resultado com essa expressividade, de queda de faturamento acima de 50%. Isso reflete a influência que a pandemia está causando na economia, temos a paralisação de diversos setores, e a queda pode ser ainda maior”, afirma o economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida. De acordo com a pesquisa, 60,5% dos empresários paralisaram as atividades em Minas Gerais, a maioria deles por tempo indeterminado.

Os entrevistados acreditam que a pandemia do coronavírus está impactando de forma negativa, principalmente, os setores de serviços (89,5%), comércio varejista (85,3%), indústria (84,8%), comércio atacadista (80,4%) e agricultura (65,6%).

“Como a cadeia produtiva conversa, da produção até o comércio, todos os setores econômicos tendem a ser impactados. Temos o fechamento de diversos estabelecimentos varejistas que, na impossibilidade de vender, não demandam mercadorias aos atacadistas, e esses, por sua vez, não demandam os produtos da indústria, de quem produz”, explica Almeida. Ele lembra, no entanto, que em alguns segmentos, como os de supermercados e hipermercados, a atividade econômica está melhor do que antes da pandemia, em alguns casos. “Houve uma procura maior por bens de primeira necessidade”, diz.

A queda no fluxo de clientes foi sentida por 58,8% dos empresários. Para 45% dos entrevistados, os preços praticados pelos fornecedores aumentaram ou ainda vão subir.

“Em um período como esse, os pequenos empresários têm baixo poder de barganha com os fornecedores, e há escassez de produtos. A pandemia atinge o mundo todo, a atividade produtiva até um mês atrás estava paralisada na China, e os produtos importados pelo Brasil e pelo Estado acabaram diminuindo em termos de volume”, afirma Almeida.

Segundo o economista, todos esses reflexos podem provocar fechamento de negócios e elevar as taxas de desemprego. Mais de 90% das empresas dos setores de comércio e serviços são micro ou pequenas e já operam com fluxo de caixa restrito e baixo estoque. “Com essa queda brusca da receita e os custos ainda presentes, com folha de pagamento, aluguel, contas de água e luz e diversas outras, o empresário não consegue fazer frente a esses compromissos. A alternativa que ele tem, inicialmente, é cortar custos, e isso passa por demissões. No fim das contas a saída é encerras as operações”, afirma. Estudos apontam que, em média, um varejista consegue sobreviver, no máximo, 30 dias sem receita.

Para Almeida, o apoio do poder público neste momento é essencial, por meio, por exemplo, da concessão de crédito com custos mais baixos ou nulos e da prorrogação do prazo de pagamento de impostos. De acordo com o economista, é importante também uma padronização de decretos municipais, estaduais e federais quanto ao funcionamento das empresas.

“Os decretos obviamente são necessários, com as medidas de quarentena e isolamento, mas eles devem ser padronizados. Uma hora o governo federal fala uma coisa, o governo estadual fala outra, e os municipais tomam, cada um, uma medida diferente. É preciso uma padronização para dar segurança jurídica e previsibilidade ao empresário”, pontua.

Algumas medidas de auxílio aos empregadores já foram adotadas. Em Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) assinou um decreto que prorroga a data de vencimento de impostos e taxas municipais para os estabelecimentos com atividades suspensas. As parcelas do IPTU do exercício de 2020, por exemplo, com vencimentos em abril, maio e junho, ficam adiadas por 90 dias.

Já o Banco Central anunciou uma linha de crédito para financiamento da folha de pagamento de empresas com faturamento anual de R$ 360 mil a R$ 10 milhões. O programa terá duração de dois meses.

O dono das papelarias Brasilusa e vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH), Marco Antônio Gaspar, concedeu férias coletivas para metade dos 15 funcionários, mas diz que as demissões serão “inevitáveis”. Ele pensa, inclusive, em fechar uma das duas unidades da rede. “O contrato de aluguel está acabando. Se as coisas melhorarem, eu abro de novo”, diz. “Estou funcionando internamente, com vendas de e-commerce e para empresas, mas o faturamento está praticamente zero, e as contas são as mesmas”, completa.

O proprietário da Total Calçados, Rafael Rocha, diz que o principal problema é a falta de previsão de normalização das atividades. As duas lojas da empresa, em Belo Horizonte e Ribeirão das Neves, na região metropolitana, estão fechadas há quase dez dias. “Demos férias para alguns funcionários e, agora, estamos aguardando”, afirma. A empresa está fazendo entregas de calçados para clientes sob demanda, mas a redução de faturamento chega a quase 100% em comparação com períodos de lojas abertas. “Suspendemos compras de produtos que tínhamos feito e conseguimos renegociar com fornecedores o prazo de pagamento, mas está complicado”, lamenta Rocha.

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