Coronavírus em Minas: 25% das cidades com morte têm menos de 10 mil habitantes


Dos 232 municípios mineiros com óbitos confirmados por Covid-19, 60 têm até 10 mil habitantes. Desses, 26 são ainda menores e possuem menos de 5.000 habitantes. Com estrutura de saúde básica e sem leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), essas cidades dependem de outras para o atendimento de casos mais graves da doença, e muitas delas ainda enfrentam dificuldades para garantir o isolamento social da população.

Itapeva, no Sul de Minas, é o município com menos de 10 mil habitantes com mais mortes: são cinco, entre 38 casos confirmados, de acordo com o boletim divulgado ontem pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), o que representa uma taxa de letalidade de 13,1%. Em Minas Gerais, a taxa atual é de 2,1%.

Entre as vítimas, quatro eram idosos com comorbidades, mas o balanço inclui também um homem de 43 anos que não possuía outras doenças, conforme informações do Estado.

De acordo com o secretário municipal de Saúde de Itapeva, Luciano de Oliveira, todas as pessoas com sintomas respiratórios são testadas para coronavírus na cidade. Quem apresenta esses sinais é orientado a permanecer em isolamento e aquelas que demandam internação são encaminhados para hospitais de Extrema ou Pouso Alegre, também no Sul de Minas, uma vez que o atendimento médico em Itapeva funciona apenas das 7h às 22h.

Apesar do avanço dos casos, a maioria dos comércios do município, que conta com 9.783 habitantes, tem autorização para funcionar, com restrições de horários e pessoas e em cumprimento de normas, como garantia de distanciamento e disponibilidade de álcool em gel. Restaurantes, bares e lanchonetes podem servir refeições no interior, desde que essas medidas sejam respeitadas.

“Estávamos trabalhando para não ter nenhum óbito. Nossa equipe de saúde da família está trabalhando diariamente orientando a população para não receber visitas e não sair à rua, foi uma fatalidade”, afirma o secretário.

Em Rio Manso, na região metropolitana de Belo Horizonte, são três óbitos e 22 casos confirmados de coronavírus, de acordo com a SES-MG. Com uma população de 5.832 habitantes, a cidade possui uma policlínica que atende situações de urgência e emergência, mas os pacientes com Covid-19 que precisam de internação, em leitos de enfermaria ou terapia intensiva, são encaminhados para São Joaquim de Bicas ou Betim, ambos na mesma região.

Segundo a secretária municipal de Saúde, Carolina Surbino, todas as vítimas eram idosas, sendo que uma tinha se mudado para Rio Manso havia pouco tempo. Ela diz que o município adquiriu testes rápidos para testagem de casos suspeitos e que o comércio pode funcionar com restrições. O consumo de alimentos em bares é proibido, mas muitos estabelecimentos ainda descumprem a legislação.

“Está havendo uma resistência. Além disso, infelizmente, as pessoas estão saindo muito, vejo que elas não seguem as recomendações de distanciamento, ficam conversando com máscara no queixo, por mais que a gente oriente. O que dá para fazer nosso município está fazendo”, pontua a secretária.

Ingaí, no Sul de Minas, que possui apenas 2.767 habitantes, tem nove casos confirmados e três óbitos, conforme balanço da SES-MG. Todas as vítimas eram idosas, sendo que duas viviam em um asilo da cidade. O município possui apenas uma unidade básica de saúde, e todos os pacientes que necessitam de internação são transferidos para Lavras, na mesma região.

O comércio pode funcionar na cidade seguindo algumas normas, como obrigatoriedade do uso de máscara e restrição de público e horário. Segundo a secretária municipal de Saúde, Samara Costa, as pessoas com suspeita de Covid-19, inclusive as que apresentam sintomas leves da doença e tiveram contato com casos confirmados, são testadas. “Não temos estrutura, não temos médico 24 horas. Muitas pessoas não estão cumprindo o isolamento, mesmo com os casos e as mortes. A gente conversa, fala, mas as pessoas ainda estão saindo sem necessidade”, diz.

Quase metade dos municípios com mortes têm até 20 mil habitantes

Entre as cidades com até 20 mil habitantes, que totalizam 112, Mar de Espanha, na Zona da Mata, é a que possui mais mortes por coronavírus: são seis, segundo a SES-MG. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Éder Sousa Santos, as vítimas apresentavam comorbidades, como doenças respiratórias e hipertensão.

Com 12.814 habitantes, o município comprou mais de mil testes para aplicar em pessoas com sintomas respiratórios. Além disso, implantou três barreiras sanitárias para escuta e medição de temperatura de quem acessa a cidade. Quem é de fora do município e apresenta sintomas não pode entrar.

O município tem um hospital de pequeno porte, mas, em caso de evolução dos caso de coronavírus, o paciente é transferido para Juiz de Fora, também na Zona da Mata. “Estamos fazendo desinfecção das ruas, calçadas e prédios públicos, e o município está tomando as medidas necessárias para ter controle maior da infecção. Temos um número elevado porque estamos testando”, afirma Santos.

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