Com quantas omissões se faz um abuso?



Quando a Rede Globo respondeu às denúncias de assédio sofrido pela comediante Dani Calabresa com a proposta de que Marcius Melhem, o suposto agressor, fizesse psicoterapia, confesso que senti vergonha alheia. Ao fazê-lo, a instituição admitiu que o comportamento de Melhem era inadequado e, de quebra, confundiu o lugar do tratamento psicológico com o lugar da lei.

O ato criminoso é, muitas vezes, um chamado inconsciente à lei, seja para que ela opere -na neurose-, seja para burlá-la -na perversão-, seja para testar sua existência -na psicose-, num jogo que precisa ser desmascarado primeiramente pela Justiça.

Lembro de alguns exemplos. O psicanalista recebe um telefonema informando que seu paciente foi preso por atentado ao pudor, correndo nu pela rua. O policial quer saber se o profissional se responsabiliza pelo sujeito, que alega ser louco e estar em tratamento com ele. Outro paciente pede para que seu analista assine uma declaração de que sofre depressão e ansiedade, pois ele se envolveu numa briga e vai usar a carta para se justificar. Em ambos os casos a resposta é um sonoro não.
Leia mais (12/07/2020 – 23h15)

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