Com indefinição da prefeitura, CDL pressiona pela reabertura do comércio em BH


Diante da indefinição da prefeitura sobre o início da flexibilização em Belo Horizonte, a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) da capital pressiona pela reabertura da cidade. Em uma carta divulgada na noite desta quarta-feira (14), a entidade lista dez razões que permitiram reduzir as medidas de restrição das atividades não essenciais. 

Um dos principais fatores que provocou o adiamento da decisão do comitê de enfrentamento da Covid-19, que é a falta de medicamentos do kit intubação, a entidade reforçou que há recursos financeiros disponíveis para a compra dos insumos. Porém, diversas cidades enfrentam dificuldades para encontrar os remédios no mercado.

Outro ponto defendido pela entidade para que o comércio volte a funcionar é a queda da taxa de transmissão da Covid-19, que passou de 1,27 no início de março para 0,87 no último boletim, em nível verde. A entidade lembrou ainda que os leitos de UTI estão com ocupação em queda e as medidas de restrição praticamente não alteraram os índices de isolamento social nas últimas semanas.

“Desde a determinação do último fechamento do comércio, em 6 de março passado, o índice de isolamento social não aumentou – sempre girou em torno de 45%, o que comprova de forma muito evidente que o comércio não é o responsável por aglomerações. Aliás, até a própria Prefeitura já admitiu essa realidade”, justificou. Além disso, a CDL lembrou que o número de vagas de tratamento intensivo na rede de saúde da cidade teve uma ampliação de 99,5%.

Colaboração do comércio

A partir da chegada da pandemia no país, em março do ano passado, a CDL argumentou que o setor de comércio e serviços sempre “foi muito colaborativo” com as medidas e protocolos determinados, o que garante que as regras definidas para a reabertura seriam seguidas mais uma vez. A entidade pontuou também que promoveu diversas campanhas de conscientização para “garantir o máximo de segurança para a saúde dos trabalhadores e clintes”, como o lançamento do selo Loja Segura.

E diante da economia fragilizada e dos impactos da pandemia, só em Belo Horizonte houve o fechamento de quase 22.000 empresas, conforme dados da Junta Comercial. “Este número pode ser muito maior, tendo em vista que em grande parte dos casos as empresas não registram imediatamente o encerramento de suas atividades”, enfatizou. A CDL argumentou que, das últimas sete datas comemorativas em 13 meses, o comércio passou cinco de portas fechadas e, por isso, estão no limite.

Veja abaixo os pontos defendidos pela entidade:

1 – A Taxa de Transmissão (RT), que é um dos indicadores utilizados pela Prefeitura para definir a abertura ou não do comércio, nas últimas três semanas teve reduzidas quedas e já chegou ao nível verde. Esse indicador já atingiu o índice de 1,27 e no Boletim desta quarta-feira, 14, desceu mais uma vez e está em 0,87, no nível verde.

2 – Além da Taxa de Transmissão, os outros dois indicadores utilizados como critérios para a flexibilização também estão acompanhando este ritmo de queda. Atualmente, ao contrário de duas semanas atrás, apenas um indicador está no vermelho, que é o número de leitos de UTI para tratamento exclusivo da doença. A permanecer o ritmo da queda, podemos crer que já no final de semana ele atingirá o nível amarelo.

3 – Desde a determinação do último fechamento do comércio, em 6 de março passado, o índice de isolamento social não aumentou – sempre girou em torno de 45%, o que comprova de forma muito evidente que o comércio não é o responsável por aglomerações. Aliás, até a própria Prefeitura já admitiu essa realidade. No primeiro fechamento do comércio imposto pela prefeitura este ano este fato ficou bastante evidenciado.

4 – Também houve um fato muito positivo desde o último fechamento. Em 5 de março, tínhamos em nossa capital 575 leitos de UTI para tratamento exclusivo de Covid-19 nas Redes SUS e Suplementar. Mais recentemente já chegamos a ter 1.147, ou seja, uma ampliação de 99,5%.

5 – O mesmo aconteceu em relação aos leitos de enfermaria. No mesmo período houve uma ampliação de 1.426 para 2.207 leitos nessa categoria, significando um aumento de 781 unidades, quase 55%. Há de se ressaltar aqui que ao longo destes últimos treze meses essa tem sido a principal reivindicação da CDL/BH. Ainda no início da pandemia já alertávamos para a iminente necessidade de ampliação do número de leitos. Sempre defendemos a tese de que é mais barato abrir leitos do que recuperar a economia.

6 – Ainda não estamos no ritmo desejado de vacinação. Pelo contrário, estamos longe ainda. Felizmente, neste último sábado a Prefeitura teve o bom senso de continuar com a campanha. Mas, como a própria prefeitura divulgou, Belo Horizonte está em um patamar um pouco acima da média de Minas Gerais e do país.

7 – Desde o primeiro momento, o comércio de Belo Horizonte sempre foi muito colaborativo e engajado na preservação da saúde das pessoas. Da nossa parte, o lema da CDL/BH nestes últimos treze meses foi preservar vidas, ajudar empresas e garantir empregos. Dentro dessa linha de atuação, promovemos diversas iniciativas para garantir, em primeiro lugar, a saúde das pessoas.

8 – Desde que começou a pandemia, a CDL/BH promoveu várias campanhas de conscientização junto aos lojistas para que pudessem garantir o máximo de segurança para a saúde dos trabalhadores e clientes. Sempre quando fomos autorizados a funcionar, o fizemos de forma segura e responsável. Até lançamos o selo Loja Segura, para incentivar o empreendedor a adotar os protocolos necessários e mostrar ao consumidor que ele está efetuando sua compra em um ambiente seguro. É necessário ressaltar que as campanhas educativas foram realizadas desde o início da pandemia, antes até do primeiro fechamento do comércio, em março de 2020. A primeira campanha de prevenção contra o coronavirus na cidade foi promovida pela CDL/BH.

9 – Nos últimos treze meses já tivemos sete datas comemorativas. Destas, cinco passamos de portas fechadas e outras duas funcionando com restrições. Daqui a um mês teremos o Dia das Mães, a segunda data com maior movimento no comércio. O fato de estar de portas abertas ou não será a fronteira entre a sobrevivência e o fechamento definitivo de muitas empresas. Segundo dados da Junta Comercial de Minas Gerais, no setor de comércio e serviços houve o fechamento de 21.321 empresas em Belo Horizonte em 2020. Este número pode ser muito maior, tendo em vista que em grande parte dos casos as empresas não registram imediatamente o encerramento de suas atividades.

10 – Por último, mais uma vez apelamos aqui para um pensamento cristão: “Os justos não podem pagar pelos pecadores”. O comércio já deu e continuará dando a sua cota de contribuição e sacrifício para que vidas sejam salvas. Reiteramos aqui a nossa absoluta disposição em colaborar para qualquer iniciativa que tenha como objetivo conter o avanço da doença. Porém, não podemos mais permanecer pagando uma conta que na realidade é provocada pelo transporte público lotado, pelas festas clandestinas e pelas aglomerações irresponsáveis.

 

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