Colombiana Carolina Sanín escreve sobre protestos contra Iván Duque



No primeiro dia da greve, 21 de novembro, a multidão que saiu às ruas parecia estar proclamando e encenando uma saturação. Não se sentia que a nação estivesse com raiva; era como se ela transformasse em prenhez de si mesmo sua sensação de estar farta do governo e como se soubesse que estava prestes a dar à luz uma versão deslumbrante de sua própria cidadania. Em cada movimento que fazíamos palpitava a consciência de uma reivindicação básica: a do reconhecimento de nossa existência física, do volume de nossa corporalidade. Fluíamos devagar e alegres pela rua principal de Bogotá, por onde nos outros dias avança aos trancos e barrancos um meio de transporte público ineficiente e poluidor que tornou indigna a vida na capital. Íamos ocupar a praça Bolívar, sede do governo. Por conta do aguaceiro que caía, não conseguíamos enxergar a cara uns dos outros e as discussões não se ouviam, e esse embaçamento repentino nos indiferenciava, nos unia mais e nos animava.
Leia mais (12/26/2019 – 02h00)

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