Ciência atravessa uma crise de reprodutibilidade



Ia escrever sobre coronavírus e crise climática, mas é bom mudar de assunto. Ainda em estado de choque com a notícia de que o impacto da epidemia na produção chinesa está reduzindo em 25% as emissões de carbono da potência asiática, de momento, pela paralisação de transportes e atividades industriais.
 
E tem gente que considera a covid-19 uma doença menor, que o alarme inicial teria sido injustificado, que “a mídia exagerou” etc. Talvez seja uma manifestação de insensibilidade perante o drama na China, onde se concentram 99,5% (2.348) das 2.359 mortes registradas até sábado (22). Para comparação: o surto de coronavírus da SARS, em 2002/3, causou 774 óbitos.
 
O restante do planeta deveria dar graças aos céus por haver uma ditadura no poder na China. Sua drástica reação, após hesitação inicial, e as restrições impostas à liberdade individual, impensáveis numa democracia de estilo ocidental, estão a provar-se eficazes ao menos para impedir que a mortífera epidemia doméstica se converta numa pandemia global.
 
Mudando então de assunto: a ciência biomédica de estilo ocidental também está doente. O diagnóstico aponta uma crise séria de reprodutibilidade, isto é, um de seus órgãos vitais se encontra gravemente comprometido.
 
A situação talvez não se afigure tão ameaçadora quanto a metástase que espalha notícias fraudulentas (“fake news”) pela opinião pública brasileira, mas faz temer pela saúde do conhecimento seguro. Há indicações crescentes de que estudos relevantes para a medicina se apoiam em experimentos que ninguém pode ou consegue reproduzir.
Leia mais (02/24/2020 – 02h00)

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