Cidades mineiras liberam abertura de academias com até 12 pessoas por horário


Em época de isolamento social como estratégia preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para combater o avanço do coronavírus, algumas cidades mineiras voltam a permitir a abertura de academias de ginástica. Para especialistas, a medida é precipitada e pode levar ao contágio em massa dentro desses estabelecimentos. 

   A cidade de Brasilândia de Minas, no Noroeste do Estado, é um dos locais onde a prefeitura deu sinal verde para a reabertura das academias. Em decreto publicado no dia 16 de abril, a prefeitura permite o funcionamento desses locais, desde que sejam seguidas algumas regras. “As academias de ginástica podem funcionar com atendimento de, no máximo, dez pessoas por vez, com horário máximo de 40 minutos por pessoa, sendo obrigatória a desinfecção dos equipamentos a cada troca de pessoa e uso de máscara”, determina o prefeito Marden Júnior, por meio do decreto.

No mesmo documento, o prefeito afirma ser “responsabilidade de toda população, incluindo a rural, a adoção de medidas de proteção e defesa para evitar o contágio e eventual proliferação do coronavírus” e recomenda o isolamento social conforme o preconizado pela OMS. 

Em Carmo da Mata, na região Oeste de Minas, o cenário é bem parecido. Em decreto publicado na sexta-feira (17), a prefeitura autorizou até a próxima sexta-feira (24) o funcionamento de academias, centros de ginástica e estabelecimentos de condicionamento físico (hidroginástica, circuito, pilates), desde que sigam algumas orientações. 

Por lá, os integrantes de grupo de risco, como os idosos, terão entrada vetada nesses estabelecimentos. No caso das academias e centros de ginástica, será necessário agendamento de horários, de 6h às 20h, com limitação de 12 alunos por grupo. Já nos estabelecimentos de condicionamento físico, o número de alunos não poderá ultrapassar a cinco. Além disso, o Executivo indicou uma série de medidas de higiene a serem adotadas, como limpeza dos equipamentos com álcool imediatamente após o uso.

O mesmo texto que abre a possibilidade de 12 alunos treinarem simultaneamente nas academias decreta situação de emergência e calamidade pública em função da covid-19 no município de Carmo da Mata. 

A flexibilização para abertura desses locais ainda não é bem visto por especialistas. O infectologista Carlos Starling lembra que o compartilhamento de equipamentos e a realização de atividades em ambientes fechados é uma situação propícia para propagação da covid-19. “Uma pessoa contaminada pode infectar todas as outras que estiverem lá dentro. É praticamente impossível garantir a esterilização adequada dos equipamentos com o uso contínuo. Não adianta. Estamos no momento de espera. Se furarmos esse isolamento agora poderemos perder os benefícios alcançados com o esforço feito até aqui”, afirma. Além disso, conforme o especialista, se contaminadas, essas pessoas poderão levar o vírus para outros contextos sociais, contaminando mais vítimas. 

O vice-presidente do Grupo de Academias Responsáveis (Gare), Carlos Eduardo Moura, pondera que é preciso buscar um equilíbrio entre a atividade econômica e a segurança dos alunos. “As academias que forem voltar a funcionar precisam seguir à risca as orientações da OMS e garantir que não haja contaminação de pessoas lá dentro. A fiscalização também terá que ser rígida para garantir essa segurança”, afirma.

Moura lembra que, de um lado, além das necessidades financeiras das academias, ainda existe a urgência de garantir as saúdes física e mental das pessoas por meio das atividades físicas. Por outro, ele lembra que os estudos sobre o risco de contágio pelo suor ainda não são conclusivos, o que acende um alerta para possível contaminação durante os treinos.  

A reportagem tentou, sem sucesso, contato com as prefeituras de Carmo da Mata e Brasilândia de Minas.

 

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