Cidadania offline


Quase 40 milhões de brasileiros entraram na pandemia sem acesso à internet. Os dados, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e referentes a 2019 mostram, que um quinto da população não tinha como acessar serviços públicos essenciais em meio às medidas de isolamento social no início do ano passado e se viram ainda mais vulneráveis à desigualdade econômica e social.
Para dar conta de mais de 60 milhões de brasileiros desassistidos por programas sociais, investiu-se em meios eletrônicos de pagamento, como o Caixa Tem, para acelerar o acesso a recursos. Cartórios, fechados, migraram para sites e serviços digitais o atendimento ao usuário. Repartições públicas, para evitar aglomerações, implantaram serviços online de agendamento quando a primeira onda da Covid-19 cedeu no ano passado. Ou seja, o brasileiro sem internet não tinha como exercer as mais básicas atividades – ou seja, nem sequer podia exercer plenamente a sua cidadania.
Igualmente, 4,3 milhões de estudantes não possuíam conexão com internet no momento em que escolas foram forçadas a trocar a sala de aula e o quadro pelo computador. Pior, desse total de jovens, 95,9% eram alunos da rede pública, aprofundando um fosso já abissal que os separam das oportunidades de avanço na vida acadêmica e profissional.
Entre as barreiras para o acesso da população ao universo digital estão o desconhecimento de como usar a internet (43,8%), o custo (18%) e a indisponibilidade do serviço (4,3%). Barreiras que já deveriam ter sido superadas às vésperas de o país ingressar na era do 5G e da Internet das Coisas. Ou o Brasil corrige essa distorção que não é só tecnológica, mas social, ou estará condenado eternamente ao atraso e à miséria.

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