Carne, farinha e bacharéis



Em “Sobrados e Mocambos” (1936), Gilberto Freyre menciona um senador do Império que propunha que se mandasse para o Pará “carne, farinha e bacharéis”.

Freyre acrescentava que o imperador depositava mais confiança “nos bacharéis que administrassem juridicamente as províncias e distribuíssem corretamente a justiça do que em socorros de carne e farinha aos povos oprimidos”. Os socorros eram “precários e efêmeros”; os bacharéis teriam efeito sustentável. Freyre -cujo nascimento ocorreu há exatos 120 anos- estava certo.

Freyre lembra também que o bacharel aparecera antes. Foram os jesuítas “que tinham dado à colônia ainda sombreada de mato grosso -a terra inteira por desbravar, índios nus quase dentro das igrejas, de olhos arregalados para os padres que diziam missas; cobras caindo do telhado por cima das camas ou enroscando-se nas botas dos colonos- os primeiros bacharéis”.

Muitos estudavam na Europa e, ao voltar, formaram o que chamou “uma aristocracia da toga”; e isso em condições inusitadas: “à sombra de mangueiras de sítio e entre macacos amansados”.
O bacharel traria consigo o Estado para onde este inexistia; instituições para o Estado da natureza; o antídoto contra a violência, o arbítrio e o mandonismo local.
Leia mais (09/06/2020 – 23h15)

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