Caos em Manaus e nova cepa do coronavírus reforçam conselho para ficar em casa


Mesmo a quase 4.000 km de distância de Belo Horizonte, Manaus, capital do Amazonas, é um alerta para a cidade mineira e para todo o Brasil, reforçam especialistas, enquanto a capital amazonense sofre, mais uma vez, com o esgotamento do serviço de saúde e escalada de casos de Covid-19. As cenas caóticas em Manaus, que sofre com o fim do estoque de oxigênio nos hospitais lotados, e a detecção, no Amazonas, de uma nova variante do coronavírus, potencialmente mais transmissível, reforçam a necessidade de a população manter as medidas de distanciamento social em todo o Brasil neste momento.

Ainda é cedo para determinar a relação entre a nova cepa do Sars-CoV-2 e a alta de casos no Amazonas, segundo a geneticista Ana Tereza Vasconcelos, pesquisadora do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), que sequencia o genoma de variantes do vírus. Ainda que a amazonense não signifique aumento da transmissibilidade do patógeno, porém, quanto mais pessoas continuarem se infectando com qualquer variante do vírus, maior a chance de ele eventualmente evoluir para algo ainda mais perigoso e incontrolável, reforça a cientista. 

“O vírus sofre mutação constantemente, ainda mais se há mais gente circulando. Se não houvesse aglomerações, não haveria a quem passá-lo”, pontua. As mutações ocorrem na medida em que o vírus se reproduz, são como “falhas” em sua replicação. Aleatórias, elas podem ser benéficas para o vírus se o tornarem mais transmissível, por exemplo, já que, assim, ele consegue sobreviver e se perpetuar em mais pessoas. A mutação amazonense traz semelhanças à observada do Reino Unido, país onde a descoberta de uma variante também coincidiu com aumento de casos. Ainda não há, porém, provas definitivas de que sejam cepas mais transmissíveis. 

“Além da variante do vírus, há vários outros contribuintes possíveis para a situação de Manaus, como a flexibilização de atividade nas semanas anteriores e (o nível) de adesão das pessoas às medidas de enfrentamento à pandemia”, elabora a pós-doutora em bioquímica, Mellanie Fontes-Dutra. Em dezembro, a prefeitura de Manaus havia baixado um decreto apertando as regras da quarentena, mas voltou atrás após protestos de comerciantes.

Nova cepa não chegou em Minas, segundo governo

O epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia, já associa o aumento de casos em Manaus e emite o alerta de que ela pode varrer o país se a transmissão não for controlada. “Acreditamos que esta nova cepa é a explicação mais plausível para um crescimento tão explosivo. Essa disseminação que estamos vendo só pode ser porque ela se propaga muito mais rapidamente que todas as 11 variantes que circularam antes. E a pior consequência é a possibilidade de se ela disseminar Brasil afora. Estamos mandando o vírus para outros Estados”, disse, entrevista ao “Estadão”.

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informa que segue recomendações do Ministério da Saúde para vigilância de aparecimento de novas cepas do coronavírus e atribui a alta dos números da pandemia a aglomerações e viagens no período das festas de fim de ano. “Os dados são, inclusive, coerentes com o período de incubação da doença, que pode ser de até 14 dias”, diz, por meio de nota. 

Também a partir de uma nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) afirma que, até o momento, não há paciente nos critérios para investigação da nova cepa variante em Minas e que o aumento de casos é “uma reação à diminuição de atenção aos protocolos sanitários, como distanciamento social, higienização das mãos, e utilização de máscaras, assim como os eventos dos últimos dois meses, como campanhas eleitorais e eventos de final de ano”.

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