Caetanear o Natal



A cena idílica da família cristã talvez só funcione por se tratar de um casal de jovens pobres com seu bebê recém-nascido, longe da família estendida e recebendo a visita pontual dos “tios” magos.

Mas a família que mais se assemelha com a que temos de fato é a dos deuses olímpicos com seus ataques de fúria, inveja, ciúmes, disputas, sem os superpoderes, claro. Mesmo aquelas nas quais o amor e o respeito imperam não estão livres de desentendimentos ou enfado.

Depois de um ano tentando sobreviver ao vírus, ao desgaste dos relacionamentos -por excesso ou falta de contato- e ao drama socioeconômico, enfrentamos um Natal insólito. O distanciamento recomendado tem gerado lamento de uns e alívio para outros. Álibi perfeito para os que não desejavam se encontrar por manterem relações burocráticas, sem sentido ou francamente violentas, escancara-se que o que chamamos de celebração é, muitas vezes, uma obrigação (in)suportável.

Os que lamentam não estarem juntos dos parentes devem comemorar justamente o fato de sentirem sua falta.
Leia mais (12/21/2020 – 23h15)

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