Broxar não é o fim: impotência sexual atinge 25 milhões de brasileiros


A gente sabe que perder a ereção é uma das principais preocupações masculinas. O exemplo disso é que “isso nunca me aconteceu antes” é uma das frases mais repetidas por homens que tiveram, digamos, um contratempo na hora H. Além do constrangimento, sobram perguntas – muitas vezes não ditas – dos dois lados, como “será que devo ajudar?”, “por que isso aconteceu?”, “será que tem algum problema comigo?” e “a culpa é da cerveja?”. Mas, o que poucos falam é que broxar é mais comum do que se imagina. Segundo especialistas, cerca de metade dos homens após os 40 anos pode sofrer de algum tipo de disfunção erétil. Então, pode ficar tranquilo, você não está sozinho nessa e esse não é um mal irremediável.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% dos homens do mundo sofrem em algum nível de disfunção erétil ¬ a incapacidade de manter uma ereção que permita uma atividade sexual satisfatória. No Brasil, a estimativa é que mais de 25 milhões de homens com mais de 18 anos tenham algum grau de impotência, sendo que pelo menos 11,3 milhões apresentam o problema em nível moderado e severo. E os números não param por aí: mais de 1 milhão de novos casos surgem a cada ano de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia. 

“Conforme a idade vai aumentando, crescem as porcentagens do problema, mas é mais comum do que se pensa. Vivemos em uma sociedade machista e principalmente temos uma cultura latina que diz que o homem não pode ter falhas. Então, quando isso acontece, ele costuma não aceitar e tem preconceito em procurar ajuda de um profissional, e isso faz com que muitos caiam em armadilhas pela internet que prometem soluções milagrosas”, avalia o médico urologista Eyder Leite, que alerta que, apesar de o problema estar em todas as idades, os números ainda são muito subnotificados. 

“O que vemos é que o homem que procura ajuda sofre desse problema por algum tempo até ir ao médico. Muitas vezes é a esposa que marca a consulta e dá um força para desinibir”, completa o urologista da rede Mater Dei e professor da UFMG Bruno Mello.  

Menos tabu, mais conversa
Por mais que possa parecer constrangedor, não há motivos para se envergonhar. De acordo com os especialistas, existe uma lista de diferente razões para a disfunção erétil. Quando a causa é orgânica, o problema pode estar relacionado a diabetes, obesidade, deficiência hormonal e aterosclerose, que é quando há o acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias.

Mas uma das principais causas para o problema também pode ser de ordem psicológica, que acomete 70% dos homens, segundo especialistas. Um levantamento realizado pelo Projeto Sexualidade (ProSex), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, e pelo Instituto Oswaldo Cruz, apontou que existem dois tipos principais de estresse: a preocupação em manter o pênis ereto (46,9%) e em satisfazer a parceira (54,8%).

Os médicos alertam, no entanto, que, além do estresse, tabagismo, problemas na próstata e uso de anabolizantes ou remédios contra hipertensão podem desencadear vários níveis de impotência. O sedentarismo, inclusive, é outro vilão. Uma pesquisa realizada com pacientes do Centro de Referência da Saúde do Homem em São Paulo revelou que 90% dos homens sedentários estão mais propensos a sofrer de impotência sexual. 

Mas, calma. Vale ressaltar que a perda de ereção não necessariamente significa um problema de disfunção erétil. A questão só é considerada doença quando o homem não consegue manter a ereção entre 50% a 75% das tentativas das relações sexuais. “Nenhum homem aceita ter o desempenho ruim, na primeira vez eles já costumam achar que existe algum problema. É quase que inaceitável. Mulheres também não precisam achar que o problema é com elas”, pontua Leite.  

Minientrevista
Bruno Mello
Urologista da rede Mater Dei e professor da UFMG

O que é disfunção erétil? Antigamente se falava em impotência sexual, mas esse termo foi substituído. O adequado é se falar em disfunção erétil, que é quando há a incapacidade de o homem conseguir obter e manter uma ereção do pênis suficiente que possibilite uma atividade sexual prazerosa. É importante dizer que uma falha ocasional de ereção pode acontecer com todos os homens. Para se ter algum tipo de disfunção tem que ser algum que aconteça com uma certa frequência. 

Quais homens estão mais propensos a ter? Existem dois grupos de causa, a orgânica e a psicológica. Com o passar da idade, é maior a chance de ter a disfunção orgânica que pode ser causada por problemas cardiovasculares, metabólicos, neurológicos, hormonais, cirurgias ou uso de certos medicamentos, como hipertensão não controlada, tabagismo, obesidade e sedentarismo. É necessário frisar que o câncer de próstata não causa disfunção, mas a consequência dele, sim. Já as causas psicogênicas é quando não há qualquer problema físico que explique a dificuldade, o que é mais frequente em jovens. O principal responsável por esse tipo de disfunção erétil é a ansiedade e o medo de falhar. E existe também a combinação de causa orgânica e psicológica. 

Até que idade o homem pode estar ativo sexualmente? Desde a puberdade, quando há a produção de hormônio, e não tem limite. Tem homens com 90 anos com ereção e relação sexual. O envelhecimento não traz consigo a perda da ereção. É preciso entender também que sexo é mais do que só a ereção, a penetração e a ejaculação. Tem a questão do afeto. 

Dicas para evitar o problema

Paciência – Diminua a ansiedade, respire fundo e evite pensamentos que o deixem mais inseguro. Quando não rolar, a dica é parar e não continuar tentando para não criar expectativas nem aumentar a pressão. Para esses casos, não vale a frase “sou brasileiro e não desisto nunca”. 

Parceria, sempre! – Não diga “isso nunca aconteceu antes”, vai soar como uma grande mentira. Converse abertamente com o seu parceiro sobre suas expectativas e preocupações. Isso vale tanto para os homens quanto para as mulheres. 

Camisinha – Para alguns homens pode ser complicado o momento de colocar o preservativo. Além de escolher o tamanho certo, invista em preliminares, peça a ajuda também de sua parceira para o momento. Para manter o clima vale o uso das mãos, da língua e até dos brinquedos sexuais. 

O que te faz broxar?
Segundo um estudo divulgado pelo site de relacionamento IllicitEncounters, para os homens um dos principais incômodos é quando tem algum animal de estimação no quarto durante o momento íntimo, insistir em deixar as luzes acesas e mulheres que ficam em silêncio ou não se mexem durante o sexo. Já no caso das mulheres o principal motivo é quando o parceiro fala sobre como era o sexo com a ex ou quando os parceiros acham que o sexo terminou depois de gozarem.

Fonte do link