Bicicletas compartilhadas estão de volta à Pampulha


Desde abril, as bicicletas ‘laranjinhas’ sumiram das ruas de Belo Horizonte. Agora, a boa notícia, para quem usava os veículos, é que elas voltarão para a pista no mês que vem. Isso porque cem novos modelos serão instaladas, mas, dessa vez apenas na região da Pampulha. Detalhe que, dessa vez, as magrelas vão ser verdinhas. 

A mudança vem à reboque do fim de um contrato entre a prefeitura da capital e o grupo Serttel, que mantinha 40 estações de bicicletas compartilhadas na cidade, liberadas por meio do aplicativo Bike BH. Com o encerramento, foi aberta uma nova consulta pública, e o número de estações foi reduzido para apenas 14, todas na região da Pampulha. A Serttel não informou quanto custará o serviço. 

De acordo com a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), as bicicletas compartilhadas já deveriam estar disponíveis neste mês, mas houve atraso por conta do demorado processo de liberação de alvarás – os locais de implantação das estruturas são tombados pela Unesco.

Segundo a Serttel, responsável pelo serviço, às 60 bicicletas que já estavam disponíveis na região serão adicionadas mais 40, totalizando cem equipamentos.

Frota reduzida. Em abril, 340 bicicletas foram tiradas de circulação da Savassi e do Centro depois que a empresa não quis renovar o contrato com o município, motivada pelo relevo da região, o vandalismo e a baixa adesão ao serviço. A expectativa da Sertell era que uma bicicleta fosse usada em ao menos quatro viagens por dia, o que não aconteceu. 

Para o arquiteto e urbanista e professor da UFMG, Roberto Andrés, além da falta de investimento em infraestrutura, faltou paciência do município para que o sistema funcionasse. Ele alerta que se a fórmula permanecer a mesma, a tendência é que as bicicletas também fracassem na Pampulha. 

“A questão não é o relevo. Em outras cidades semelhantes ao redor do mundo funciona. É preciso tempo para uma mudança de hábito. É natural que haja pouca aderência no início”, disse. “O que acontece em outros lugares e faltou aqui é ter maior período de investimento e mais estações, mesmo que não dê retorno imediato”.

Ciclovias ainda são gargalo
A chegada das bikes e das patinetes em Belo Horizonte evidencia o gargalo das ciclovias e ciclofaixas da cidade, que somam 89 km. O estudante de direito Ramon D’Almeida, 28, pedala cerca de 40 km por dia, a maioria deles nas ruas. Para ele, andar de bike é questão de insistência. “São espaços muito pequenos, então é difícil ir para todo o lugar. A noite o risco é ainda maior, pela velocidade dos carros. Ando de bicicleta porque sou persistente”, conta. 

De acordo com a BHTrans, a expectativa é que se construa, até 2020, 400 km de rotas cicláveis na cidade (ciclovias, ciclofaixas e/ou vias acalmadas).

Ciclofaixas em BH

89,93 km
É a extensão atual de ciclovias instaladas em BH

52 km
É o número previsto para 2019 de novas ciclovias 

400 km
É a meta de rotas cicláveis a serem instaladas até 2020 no projeto ‘Zona 30’

Entenda.
Patinetes.O prefeito Alexandre Kalil vetou, na última semana, o Projeto de Lei do vereador Gabriel Azevedo, que regulamentava o serviço de compartilhamento de bicicletas, patins, patinetes e skates em Belo Horizonte. Mesmo com o veto do chefe do Executivo, a palavra final sobre o projeto virar lei ou não, cabe ao Legislativo. 

Fonte do link