'Até o momento, os jogadores não admitem a redução de salário', diz Fenapaf


Se depender de jogadores dos principais clubes do futebol brasileiro, a proposta dos dirigentes para reduzir em 25% os salários não será aceita. A medida foi apresentada pela Comissão Nacional de Clubes (CNC), na última segunda-feira (23), como forma de minimizar os eventuais danos financeiros que poderão ser provocados pela pandemia do novo coronavírus, enquanto a bola seguir parada Brasil afora.

No entanto, caso o panorama não se altere nas próximas horas, a resposta dos principais personagens do esporte será “não”.

“Recebemos a proposta e estamos ouvindo os atletas sobre o assunto. Nesta quarta-feira (25), à tarde, daremos a resposta oficial. Até o momento, os jogadores não admitem a redução de salário”, revela Felipe Augusto Leite, presidente da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf).

Desde que os campeonatos em todo o país foram suspensos, os clubes liberaram seus atletas para treinar em casa. Não há previsão de quando a situação será normalizada, por isso, os clubes se uniram em torno de uma proposta que atenue todos os prejuízos que a paralisação do esporte possa causar.

A previsão, contudo, não é animadora. Os times estimam perder patrocínios, renda com bilheterias, venda de produtos e afins. Desse modo, a alternativa encontrada foi criar uma comissão que congregasse os anseios em comum das agremiações, para tentar negociar com o representante dos atletas.

Em relação à concessão de férias coletivas a partir do início de abril, parece não haver divergência entre empregadores e empregados. “Neste caso, a tendência é aceitar, sim. Este é o tema mais urgente. Os demais devem continuar sendo negociados”, explica o presidente da Fenapaf.

Em Minas Gerais, os três principais clubes do estado integram a comissão e endossam a proposta da CNC.

“Por meio do Mario Bittencourt, do Fluminense, abrimos uma linha de negociação com o sindicato dos atletas e, óbvio, terá de envolver todas as partes. Tem de ser um grande acordo”, defende o presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara.

“A ideia é dar férias coletivas de 20 dias a partir de abril e dez dias de férias entre o fim do ano de 2020 e início de 2021. É um momento muito difícil para todos os clubes e outras medidas estão sendo avaliadas”, complementa André Argolo, diretor executivo do Cruzeiro.

Já Marcus Salum, presidente do América, prevê um cenário pouco animador. “Temos de estudar outras soluções já pensando num quadro pior. A partir daí, se a coisa melhorar, vamos agregando outras soluções”, pondera.

O que desejam os clubes

No “encontro” virtual da última segunda-feira (23) a CNC reuniu representantes de 46 clubes das Séries A, B, C e D. Na ocasião, foi reformulada a proposta a ser enviada à Fenapaf, sindicatos e atletas. Conforme explicou a Comissão, uma outra já havia sido encaminhada e rejeitada, três dias antes.

No último documento, a CNC propôs o seguinte:

– Conceder férias coletivas de 20 dias a todos os atletas, de 1º de abril a 20 de abril, com pagamento integral no quinto dia útil do mês subsequente ao gozo das férias e o 1/3 constitucional a ser pago no mês de dezembro de 2020;

– Garantia aos atletas do período de 10 dias restantes de férias no final do ano de 2020 ou no início de 2021, adequadas ao calendário que se desenhará após o retorno da paralisação;

– Redução da remuneração dos atletas em 25% durante o período de paralisação, como preceitua o artigo 503 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) em casos extremos e de força maior;

Questionado sobre qual rumo a situação tomará, caso o acordo não seja aceito pelos atletas, Felipe Augusto é direto e objetivo. “Se a negociação fracassar, judicializar sempre será o caminho”, aponta o presidente da Fenapaf.

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