As armas e as letras



O governo Bolsonaro tem tido, entre outros aspectos horripilantes que o país levará gerações para superar (na hipótese otimista), a capacidade de demonstrar os limites canhestros da palavra diante da ação.

Quem gosta de palavras costuma superestimar seu peso, chegando até a lhes atribuir a criação do mundo. Está no Evangelho de João: no princípio era o Verbo. Bom, parece que não é bem assim.

Ao longo dos últimos meses, enquanto o presidente agredia com violência crescente a democracia, a paz social e a própria honra dos brasileiros, virou uma espécie de passatempo entre nossos letrados tentar dar um nome àquela desgraça.

Aumentar aos poucos a dose de ultraje contida nas palavras, subir mais e mais o tom dos adjetivos indignados e das metáforas escandalizadas, tentando fazer frente à peçonha bolsonarista, provou-se não apenas vão como, provavelmente, útil ao jogo de polarização máxima estimulado pelo presidente.
Leia mais (04/30/2020 – 01h00)

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