Aos 90 anos, atriz Wilma Henriques morre em BH neste domingo


De carreira movimentada nos palcos e considerada a grande dama do teatro mineiro, a atriz Wilma Henriques morreu no fim da tarde deste domingo (18). A artista tinha 90 anos e estava morando em um lar de idosos em Belo Horizonte. A morte ocorreu por causas naturais. Ainda não há informações sobre data e local do sepultamento.

“Chegou ao fim mesmo”, respondeu, emocionada, a amiga Magdalena Rodrigues, que a acompanhou ao longo de anos. Foi por influência direta de Wilma que Magdalena acabou se envolvendo com a militância artística, e atualmente ocupa o cargo de do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de Minas Gerais (Sated). “Ela sempre foi um exemplo. Foi um ganho ter tido Wilma Henriques no teatro mineiro. Foi uma honra”, disse Magdalena.

Em fevereiro, quando foram completadas as nove décadas de vida de Wilma Henriques, o jornal O TEMPO publicou uma ampla reportagem especial sobre a trajetória da atriz.

Wilma estava afastada dos palcos há alguns anos. Nascida em Conselheiro Lafaiete, no dia 15 de fevereiro de 1931, ela enveredou-se pelas artes cênicas e colecionou sucessos ao longo de uma carreira versátil. Transitou com facilidade por papéis em comédias, dramas e tragédias. Entre os espetáculos que integrou o elenco, “Fala Baixo, Senão eu Grito”, texto de Leilah Assumpção, com produção de José Mayer e direção de Eid Ribeiro; e “A Prostituta Respeitosa”, do obra do filósofo francês Jean Paul Sartre (1905-1980).

O diretor Pedro Paulo Cava também destaca a importância da atuação de Wilma para além dos palcos, especialmente a partir da década de 1960, quando a categoria passou por um momento de crise. “Muitos artistas saíram da TV Itacolomi quando os canais se agruparam em rede. Isso provocou a extinção de um elenco maravilhoso, pois as produções foram deslocadas para São Paulo, e o pessoal ficou sem trabalho”, relembra. Wilma foi quem articulou um movimento que lutava pelo ofício do ator. Resistência contra censura e ditadura também foram pautas da atriz. “Ela tinha uma capacidade muito grande de luta”, disse o diretor.

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