Amigos que transam: pesquisa revela que sexo entre amigos fortalece a amizade


O amor mudou. Ou melhor: as formas de amar estão mais dinâmicas e menos rígidas. Para alguns estão até fluidas demais. Mas, como já diria Caetano Veloso, por vias tortas e poéticas, sexo sem amor é um dos mais elevados sentimentos da humanidade e, se está combinado, não tem nenhum engano, nem mistério. Não tem motivo para ser tabu. E para comprovar a teoria, uma pesquisa realizada pela universidade americana Boise State University concluiu que o sexo só tende a fortalecer as relações de amizade. Traduzindo: aquela amizade colorida, acionada nos momentos críticos, pode ser muito mais benéfico do que você imagina. 

Segundo o estudo, 76% dos entrevistados disseram que a amizade só melhorou depois do sexo, e em 50% dos casos a transa não foi apenas por uma noite. Metade dos entrevistados que já se relacionaram intimamente com os amigos afirmaram que engataram um relacionamento sério e o mantêm até hoje.

“É possível manter uma relação sexual esporádica com amigos, mas é importante frisar que será algo informal, que não deve ultrapassar os limites que a amizade pede, ou seja, é preciso que os objetivos e as regras estejam alinhados para que não se crie muita expectativa nem ultrapasse o respeito que existe na amizade. Isso é muito frequente em relacionamentos abertos, mas, independentemente de estar em relacionamento ou não, acontece e deve fazer sentido para os dois”, avalia a psicóloga e sexóloga Enylda Motta. 

De acordo com a especialista, a relação mais íntima entre amigos tem seus benefícios, não tem posse, não tem briga nem cobrança. Mas e quando um dos dois se apaixona? Será que a fórmula da amizade colorida continua valendo? Dá para levar adiante a amizade ou melou tudo? Essa pergunta não tem resposta.

A regra de ouro nesse e em todos os casos, na avaliação da sexóloga, é abrir o jogo e deixar tudo combinado para evitar mal-entendidos. “Entre os benefícios tem a questão do vínculo já criado a partir da amizade, e, para um bom sexo, o vínculo é fundamental, essa relação casual pode ser importante também para explorar mais a sexualidade e ter sexo quando quer, sem o compromisso de fidelidade. Por outro lado, uma vez que as regras não ficaram claras, a amizade pode se perder. Algumas pessoas podem sentir que a outra pessoa lhe pertence, o que pode gerar ciúmes”, pontua. 

É para todos?
A sexóloga Enylda Motta explica que não. “Não tem gênero que melhor se adapte, esse tipo de amizade funciona para ambos, homens e mulheres, desde que estejam abertos a vivenciar essa amizade colorida. O que acontece é que muitas mulheres não têm nem lubrificação se não há interesse afetivo, já outras se permitem ter a curiosidade para saber o que vai sentir se transar sem interesse. Mas, para ter um bom sexo, é importante ter a química, e o interesse é um fator para isso”, afirma Enylda, que faz questão de ressaltar ainda que, apesar da limitação psicológica de muitas mulheres, não tem existe regra. Algumas mulheres conseguem se satisfazer com sexo sem envolvimento e nenhuma perspectiva de futuro.

Esse é o caso da publicitária Hanna*, 27. “Já tive situações que deram certo e errado. Tenho um amigo que depois que transamos a amizade ficou mais forte justamente porque vimos que a questão era para manter a amizade, e não algo mais. Foi totalmente constrangedor. Mas hoje lidamos muito bem com isso. Inclusive, hoje ele tem namorada, ela sabe, e mesmo assim isso não afeta em nada. Da mesma forma que comecei a transar com um amigo e acabei gostando dele. Não soube separar. A gente não deixou as coisas claras também. Virou uma confusão danada, e hoje a gente não se fala mais. Acho que, para dar certo, tem que combinar. E se está sentindo algo mais, avisa o outro ou sai fora. É sempre bom pensar o que vai fazer mais falta para você, a amizade ou um momento de carinho. Mas agora prefiro manter a amizade, por mais que saiam beijinhos eventualmente com um ou outro”, conta. 

Em todos os casos, é preciso definir quais são as suas prioridades para lidar bem com amizades coloridas, pontua a sexóloga Danni Cardillo. “Homens costumam lidar melhor com sexo casual, mas, para além da maturidade, é importante, acima de tudo, que se tenha educação sexual para entender o próprio corpo. Esse é o primeiro passo para separar emoção e tesão. Dá para separar à medida que você entenda o que quer. Você não precisa do amigo ou do sexo para estar satisfeita, existem meditações orgásticas, há uma infinidade de técnicas para desconectar o sexo só do prazer e da ideia de que o sexo precisa ter apelo emocional”, conclui. 

Regras de ouro
1- Não se apaixone.
Pode até rolar a paixãozinha, mas esse não é o objetivo. Caso aconteça, converse a respeito e dê um tempo no sexo com esse amigo
2- Não coloque a pessoa em primeiro lugar na vida sexual, como exclusividade – ou seja, esteja aberto a outras oportunidades
3- Coloque a confiança no diálogo para não perder o vínculo
4- Use camisinha. As pessoas pensam que podem confiar porque se trata de um amigo e que não precisam se prevenir. Não é bem assim. Camisinha previne ISTs e gravidez.
5- Tenha maturidade emocional para perceber que a relação sexual deve parar de acontecer, que a amizade colorida deve continuar somente como amizade e que mensagens lindas não fazem parte do protocolo do dia seguinte
6- Esteja aberto a vivenciar essa amizade colorida
7- Comunique-se de forma alinhada e clara

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