Ameaçada após acusar o marido de estuprar a filha, mulher vive escondida


Sem lar fixo, escondida por amigos e familiares e sobrevivendo com doações de roupas e alimentos fornecidas por conhecidos, uma mulher de 25 anos alega ter perdido todos os seus pertences e seu sossego para criar os filhos após denunciar o marido no último sábado (26), por suspeitar das investidas do homem de 28 anos contra a criança mais nova, uma menina de apenas 1 ano e 4 meses.

Além de ameaçá-la, o suspeito também teria ateado fogo às roupas da mulher logo que ela deixou a casa da família com os dois filhos. Agora, segundo ela conta, seus amigos mais próximos reúnem doações para tentar tirá-la junto com as crianças de Betim, na região metropolitana, – cidade onde vivia com o marido – e escondê-la do suspeito.

Após o registro da denúncia de estupro na Delegacia de Plantão do município, o suspeito foi liberado e teria dito a todos que sua esposa era louca e teria, assim, preparado uma armadilha para ele. “Horas depois que nós saímos da delegacia, um conhecido me escondeu em sua casa junto com meus filhos. O meu marido me mandou mensagens a noite inteira, ligou, disse que sou mentirosa, me xingou. Quando eu pensei em voltar à nossa casa para retirar meus pertences, descobri que ele queimou todas as minhas coisas. Ainda dentro da delegacia ele falou que me mataria. As irmãs dele também me ameaçam, dizem que sempre vão protegê-lo. Eu perdi tudo”, desabafa. 

Crime e fuga

Após encerrar o expediente às 16h de sexta-feira (25), o marido da vítima teria seguido para casa e avisado à mulher que sairia para ir a um boteco. Algumas horas depois, já no início da madrugada de sábado, o homem retornou à residência, tomou um banho, jantou a comida deixada no prato pela esposa e entrou no quarto, como ela descreveu no registro policial. Na delegacia, a mulher descreveu que estava sentada na beirada da cama, mexendo no celular conectado à tomada, quando ouviu o marido reclamar de sua comida.

Assim, ela teria ignorado as ofensas. No entanto, alguns segundos depois, ela relatou ter ouvido o marido cochichar para a filha, uma menina de 1 ano e 4 meses que dormia ao lado da cama de casal: “vem filha, vem chupar o papai”. Quando se virou para olhá-lo, a mulher teria percebido o marido colocar a mão embaixo da cabeça da criança e mover a pequena cabeça em direção ao pênis dele, coberto apenas pela toalha usada para secar-se após o banho.

À polícia, a mulher contou que, ao perceber a situação, ‘voou’ em direção ao marido e o atacou com socos, para que ele soltasse a criança. “Nessa hora, eu pulei em cima dele. Ele se assustou, puxou meu cabelo e perguntou ‘quê que foi, quê que foi?’, eu falei ‘você tá louco?’. Ele me soltou, deitou e dormiu. Foi muito rápido, muito mesmo. Eu chamei a irmã dele no WhatsApp, ela mora perto, arrumei minhas coisas, peguei uma muda de roupa para cada filho, fralda, duas caixas de leite, documentos, certidão de nascimento e RG. Desci para a casa dessa irmã dele e fui para a casa do meu padrasto. Dei um banho na menina e fomos já para a delegacia”.

Acusação contra a polícia

Segundo a moça, começou aí sua peregrinação, trocando de casas para evitar encontrar o marido que, após ser ouvido, teria sido liberado. “O policial deslocou uma viatura para buscá-lo lá em casa, pegaram ele ainda pelado na cama. Ele ficou um dia inteiro numa salinha na delegacia, que fica separada dos outros presos. Depois de tudo, a delegada falou para mim que não iria prendê-lo porque não tinha provas e não era flagrante. Só que era flagrante sim, eu só tomei um banho antes de ir pra delegacia. A delegada ainda me falou que colocou que não era flagrante para ele não ir preso, porque se não os presos iam bater nele. Ela livrou a vida dele, mas a minha está em risco”, conta.

Longe de casa, a mulher conta ter perdido todos os seus pertences, entre eles uma máquina para lavar roupas, uma batedeira, uma televisão e um guarda-roupa. Agora, segundo ela, conta com a ajuda de amigos e conhecidos para alimentar os filhos e se preparar para sair da cidade. “Ele está rindo da minha cara, a família dele me chama de ‘noiada’, drogada, são muitas ofensas e ameaças. Eu não posso ficar na casa de parentes que ele conhece, estou tentando ir embora daqui. Não tenho nada”.

Procurada, a Polícia Civil informou que as investigações do caso ainda estão em andamento e, no momento das oitivas, “não havia elementos suficientes para ratificar a prisão do suspeito”. Segundo a corporação, novos levantamentos serão feitos pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher nos próximos dias.

Fonte do link