Adolescentes são apreendidos por incendiarem dois ônibus em Contagem


Dois adolescentes, os dois de 17 anos, foram apreendidos pela Polícia Militar e confessaram o incêndio de dois ônibus na garagem da Viação São Gonçalo, localizada à rua Reginaldo de Souza Lima, no Centro de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. O crime foi às 15h30 de quinta-feira. Os menores pularam o muro e um deles alegou vingança pela morte de um irmão de 15 anos, na terça-feira. Ele atribui o homicídio a policiais militares.

Segundo um funcionário da empresa, que não quis se identificar, eles acharam que o fogo tivesse sido provocado por curto-circuito em dos veículos, que chegaram a arrastá-los com ajuda de um trator para salvar outros coletivos. O Corpo de Bombeiros foi chamado para apagar a chamas, mas os veículos foram totalmente destruídos.

Mais tarde, testemunhas disseram ter visto dois adolescentes pulando o muro. Os dois foram localizados pela PM volta das 22h30, em um ponto de ônibus no Centro de Contagem. Estavam acompanhados de outros dois menores, de 16 e 17 anos, e de rapaz de 18, já preparados para incendiar o primeiro ônibus que parasse no ponto. Com eles, a PM apreendeu um galão com 5 litros de álcool combustível, um isqueiro e uma caixa de fósforo.

Todos os envolvidos foram interrogados pela Polícia Civil na manhã de ontem. Um menor de 17 anos disse à delegada de plantão, Andréa Pochmann, que chamou os comparsas para vingar a morte do irmão, no Beco Barroquinha, no Centro de Contagem.

Eles alegam que a Polícia Militar teria sido responsável pela morte de um adolescente que seria irmão de um desses infratores. Realmente, ocorreu a morte de um adolescente de 15 anos no dia 13, no Centro de Contagem”, informou a delegada.

Os envolvidos disseram à delegada que pretendiam incendiar outros ônibus e que iriam atear fogo no primeiro que parasse no ponto onde foram localizados. “Estavam de posse de um galão de combustível. Disseram que iriam mandar todo mundo desembarcar, motorista e passageiros, e atear fogo em seguida. Disseram que estavam com raiva e magoados e que iriam atear fogo em um transporte público, causando um dano a toda a sociedade”, disse a delegada.

Liberados 

Os quatro menores e o adulto foram ouvidos e liberados, por não haver flagrante, segundo a delegada. “Eles foram liberados porque o primeiro crime de danos aconteceu à tarde e eles foram encontrados às dez e meia da noite do mesmo dia, mas não se encaixam nas hipóteses de flagrante previstas do Código de Processo Penal”, explicou a delegada.

“Essa suposta intenção deles de atear fogo em outro coletivo não se configura como tentativa de um outro crime de dano. Eles foram liberados, mas não significa que eles ficarão soltos. A autoridade policial responsável pelo caso pode solicitar a internação provisória dos menores e a prisão preventiva do adulto”, explica a delegada.

Prejuízo

O porteiro Geraldo Magela Graciano, de 54, mora ao lado da empresa de ônibus e conta que deu para sentir o calor do incêndio no prédio dele.

Da janela do apartamento, o porteiro apontou a carcaça de outro coletivo na garagem da empresa, incendiado no mês passado, na avenida João César de Oliveira, Centro de Contagem. “Quem paga o pato é a gente. Uso ônibus para trabalhar. Com menos ônibus circulando, é mais tempo no ponto de ônibus”, reclamou o porteiro. Um representante da Viação São Gonçalo esteve na delegacia e não quis falar com a reportagem.

Apuração 

Sobre a denúncia de envolvimento de policiais na morte do adolescente de 15 anos, a PM esclareceu que instaurou procedimento administrativo para apurar a participação dos policiais no momento da ocorrência. “Em análise preliminar visual da perícia, que esteve no local, não houve sinais de violência”, informou a corporação.

Ainda de acordo com a PM, as causas da morte serão apuradas pela Polícia Civil após o laudo do Instituto Médico Legal (IML).

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