Acolhimento a refugiados teve redução de até 69% neste ano


O processo de interiorização de refugiados venezuelanos que partem de Roraima (RR) com destino a Minas Gerais passou por um período de desaceleração desde o início da pandemia do novo coronavírus. A redução chegou a 69% entre janeiro e abril deste ano, passando de 199 para 60 – mês que registrou o pior desempenho –, conforme dados do Ministério da Defesa. Mas a expectativa de organizações humanitárias é de uma possível retomada do crescimento neste semestre, para alívio de migrantes que aguardam o acolhimento para, enfim, poderem se estabilizar e recomeçar suas vidas.

Dados do órgão federal já dão sinais desse crescimento. Entre junho e julho, houve alta de 27,7% no desembarque de migrantes da Venezuela em solo mineiro – de 72 para 92. O índice de agosto não foi divulgado.

A rede Acolhe Minas – principal referência em interiorização de venezuelanos no Estado –, que está com a atividade suspensa há cinco meses, já planeja retomar o serviço e acolher no Estado 50 venezuelanos que estão refugiados em Roraima. Neste mês, devem chegar 25 e, até dezembro, mais 25. 

“Estamos preparando a Vila Alberto Hurtado (no bairro Campo Alegre, na região Norte de BH) com os protocolos para enfrentamento da Covid-19 e criando estratégias para tornar possível a integração local deles”, adianta Marcelo Lemos, coordenador do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR), entidade que lidera a rede.

Segundo Lemos, a paralisação do acolhimento foi necessária diante do risco de transmissão da Covid-19. O serviço só não parou totalmente porque algumas organizações humanitárias – que integram a Operação Acolhida, do governo federal – conseguiram apoiadores e estrutura para enfrentar a crise.

Recomeço
O militar Zabdier Blanco, 31, faz parte do grupo que chegou em solo mineiro durante a pandemia e tenta recomeçar a vida. Quando buscou refúgio em Boa Vista (RR) após deixar a Venezuela, em 2019, para fugir da crise humanitária, o migrante carregava nos braços um bebê recém-nascido e a responsabilidade de cuidar, ao lado da mulher, de outros dois filhos, de 3 e 7 anos. “Foi difícil demais”, lembra o refugiado.

Blanco chegou com a família em Contagem, na região metropolitana, no mês passado, trazido pelo empresário e voluntário da organização humanitária Refúgio 343 Stefano Ferrara Freitas, 29. Com auxílio de parceiros, Freitas ajuda a pagar o aluguel da família e conseguiu trabalho para o militar em uma fábrica de móveis. “O que mais quero é criar meus filhos com calma para que estudem”, diz Blanco. 

Depois de morar na rua, enfim um lar
A ajuda de voluntários durante a pandemia tem possibilitado que famílias como a da venezuelana Yoleida Josefina Salinas, 37, recomecem a vida na capital mineira. Em abril, no auge da pandemia, ela desembarcou em Belo Horizonte ao lado do marido e de sete filhos. 

Depois de enfrentar a fome na Venezuela e viver nas ruas de Roraima por um mês antes de conseguir refúgio em Minas, Yoleida comemora o fato de poder morar em uma casa alugada em BH e de estar prestes a conquistar independência financeira. “Tenho fé de que minha família vai ficar muito melhor aqui”, comenta.

Alívio
Esperança que também é alimentada pela migrante Katherin Del Valle Pérez, 19, que chegou a BH no mês passado. Após enfrentar o drama de descobrir, na capital mineira, um nódulo no seio e ouvir que havia apenas 6% de chances de o tumor ser benigno, a venezuelana celebra o teste negativo para câncer, que saiu na semana passada. “Graças a Deus! Agora só quero trabalhar porque tenho irmãos na Venezuela que precisam de ajuda”, diz.

Evolução
Apesar da perda de ritmo nos últimos meses, o número de venezuelanos que chegou em Minas nos sete primeiros meses de 2020 ainda é 59% maior do que no mesmo período de 2019, quando Minas começou a receber refugiados. 

Ações públicas
O Estado informou que apoia e orienta atores locais para acolher migrantes. A Prefeitura de BH afirmou que os centros de saúde são orientados a atender os refugiados. 

 

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