A universalidade da psicanálise e o entendimento do local/global – Por Marlon Nunes – #temporadadetextos

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Marlon Nunes

Diante do mundo a cada instante mais padronizado e constantemente formatado em seus upgrades, muitas vezes, não há espaço para subjetividades diferenciadas relativamente ao padrão que obedece às armações dos sistemas, principalmente, no sentido técnico/burocrático, características que sustentam a base do sistema como um todo. Para muitas pessoas o sentimento de enquadramento gera infinitas dores ao pensarem justamente que terão que se submeter a algum tipo de adaptação às padronizadas exigências. Nem sempre a pessoa se vê disposta a se adaptar e é aí que surgem as frustrações, as cobranças, o sentimento de culpa, a depressão e outros males por não conseguir refletir o padrão ideal.

O incômodo causado pela visão da suposta “não-adaptação” às artificializadas simulações representadas pelos aspectos comunicacionais do sistema: instituições educacionais, reality shows, filmes, telenovelas, etc., pode desdobrar-se em diversos quadros psicopatológicos: neuroses agudas, depressões, pânicos, desvios, ansiedades e até em psicopatias. Como o contexto histórico-social é importante para o entendimento do vasto universo de cada indivíduo e suas relações com a sociedade, então a psicanálise deve também contribuir para a compreensão dos fenômenos socioculturais e os reflexos desses na psique de cada indivíduo no conjunto social.

Assim como os astros estão interligados por forças universais, em sua maioria, inexplicáveis, os corpos são universos complexos que merecem atenção holística. A palavra holístico foi criada a partir do termo holos, que em grego significa todo ou inteiro. Os reflexos na sociedade da informação são geralmente negativizados pelos mecanismos de comunicação/significação, contribuindo para o aumento das inseguranças. A duplicidade causada pela fragmentação do Eu em constante tensionamento com a suposta “normalidade” pode desencadear falta de sentido.

Portanto, a psicanálise é essencial para a compreensão da generalidade e das especificidades dos universos locais e globais que cada um de nós participa e espelha. Assim, a psicanálise possibilita compreender os fenômenos na sua totalidade e ainda auxilia outras áreas do saber para que cada um consiga ver e rever seus conceitos e comportamentos diariamente num processo constante de construção/desvelamento dos imaginários e da comunicação individual e social.

Muito basicamente, a função da psicanálise é fazer com que o sujeito se veja nessas relações históricas e espaciais e assim ressignifique as repetições que acontecem devido a conteúdos recalcados que estão reprimidos. E assim a pessoa consiga viver melhor consigo carregando a sua realidade consciente ou inconsciente.   


Marlon Nunes é professor mestre em Estudos de Linguagens, escritor e psicanalista em Contagem-MG. Possui dois livros publicados: “A solidariedade vai até onde vai o interesse” e “O corpo hiper-real em Crash e a festa tecnológica: sedução, simulação e fragmentação”.


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