A poesia nossa de cada dia – por Isa de Oliveira – #temporadadetextos

Por quê ler poesia? Vamos falar de poesia, é um convite a abrir as portas para essa leitura tão incompreendida por muitos leitores.

Fonte: Pixabay
Isa de Oliveira @corujadasletras

A dificuldade que muitas pessoas têm em ler poesia, segundo o argumento da maioria, é porque não consegue compreender o que a poesia diz. Oras, a poesia não é para ser entendida, mas sentida. A poesia, pede licença e permissão para falar com o seu coração e não com a sua razão. Ela não quer ser explicada, ser exata. A forma como a recebemos é que ela vai encontrar maneiras de se estabelecer em nós.

A inexatidão da palavra poética é essa, nos conduzir aos caminhos que tememos trilhar por considerá-lo estranho, diferente e incompreensível. O medo nos impele a autodefesa de achar que a poesia é difícil, sendo assim, tentam evitá-la. Deixar de ler um poema ou simplesmente dizer que não consegue entendê-lo é criar barreira onde não existe.

Se não vou compreender o que está escrito, então por quê ler poesia?

A resposta consiste basicamente em que a poesia é palavra-sentimento, ela quer chegar no mais profundo do nosso ser. Ela se basta, não precisa de explicações ou ser compreendida. Apenas leia e sinta. O que reverberar após a leitura dela, já é suficiente para que um dia, em algum momento na vida de quem a leu, vai fazer todo o sentido, vai ser compreendida quando deparar com alguma situação e rememorá-la.

As letras de música são poéticas por natureza, ou seja, a diferença dela e do poema que a primeira é musicada e possui todo um arranjo instrumental, o que nos impele aos movimentos emotivos provocados pela canção. A diferença da leitura poética está no silêncio, ela precisa dele e no máximo daquela voz dentro de nós, a qual muitas vezes conversamos sozinhos em momentos de reflexão. Quando esse encontro da leitura silenciosa de um poema com a nossa alma, começa o barulho em nossa mente. Eis o segredo do valor simbólico da palavra escrita em versos.

Não é preciso que tenha início, meio e fim para terminar a sua leitura, ela é infinita, lemos e relemos diversas vezes ao longo da vida, por isso a sua infinitude e atemporalidade. A permanência da poesia em nós já significa o tanto que a compreendemos, pois ao permitir que ela entre em contato com a nossa alma, com a nossa vida, é indicativo de que isso foi o necessário para ser completamente absorvida.

Costumo dizer que a poesia é como a oração, necessária para a alma e a lemos todos os dias, seja em silêncio ou em voz alta. Basta a nossa fé, então basta abrir o coração e deixar ela falar com ele, o diálogo essencial para jamais deixarmos de ler poesia, assim como o Pai Nosso, para que se torne a poesia nossa de cada dia.

Já leu um poema hoje?


* Isa de Oliveira é doutoranda em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG, pesquisadora, poeta, resenhista e crítica literária, autora de “Intermitências” (Crivo Editorial, 2010) seu primeiro livro de poemas, contagense e bookaholic que escreve para entender o mundo e se fazer entendida quando possível.


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