A herança de Floyd


“Você pode até destruir o meu corpo, mas você nunca vai aprisionar a minha mente”. Essa máxima do pacifista indiano Mahatma Gandhi foi atestada pela realidade no caso de George Floyd, 46, homem negro morto por policiais nos Estados Unidos. O sepultamento dele, na terça-feira, em Huston, no Texas, não enterrou a nova onda antirracista mundial.

Ainda na cerimônia fúnebre, o reverendo negro Al Sharpton disse que Floyd agora é “o pilar de um movimento que mudará o mundo inteiro”. De fato, exemplos do legado do segurança brutalmente assassinado se espalham pelo planeta, com efeitos práticos.

Mais de 180 mil norte-americanos assinaram um abaixo-assinado pedindo que a Ku Klux Klan (KKK) seja considerada uma organização terrorista. Em Londres, o prefeito Sadiq Khan disse que tem a intenção de remover os monumentos que foram erguidos em homenagem a traficantes de escravos. E, nos Estados Unidos, o Congresso começa a discutir uma reforma que pretende reduzir a violência policial, com a participação de um irmão de Floyd.

A onda antirracista parece enfrentar uma série de resistências para entrar no Brasil, apesar de protestos terem ocorrido em várias capitais no último fim de semana. Autoridades insistem em desmerecer a luta de movimentos negros, e muitas instituições demonstram aversão a mudanças. O Superior Tribunal Militar, por exemplo, soltou os nove militares suspeitos de envolvimento na morte do músico negro Evaldo dos Santos. O carro dele foi alvo de 80 tiros, no Rio de Janeiro, em abril do ano passado.

George Floyd merece estátuas e ter seu nome dado a ruas e escolas, mas a maior homenagem a ele e a todas as vidas negras é a garantia dos direitos humanos.

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