“A Força da Humildade”: um canto de amor à vida*

Por Rogério Salgado

Para escrever a história do primeiro negro a ser ordenado padre no Brasil, o escritor Gilson Freire escolheu o gênero poema. “A Força da Humildade – História real de Francisco de Paula Victor, o padre Victor,  vem a público, através da sensibilidade desse médico espírita,  como um salutar presente,  ao leitor de hoje e das futuras gerações, tão carentes do milagre da fé. Uma pitoresca narrativa que resgata a nobreza da humildade e humanidade de uma criatura; que venceu, antes mesmo da abolição da escravatura, terríveis preconceitos e superou inúmeras humilhações para somente servir ao semelhante e amar ao próximo como a si mesmo. E viva a liberdade, eis a questão!

A literatura merece regras? Para uns sim, para outros não. Com a Semana de Arte Moderna de 1922, Oswald e Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Sérgio Millet, entre outros, romperam com as estruturas da palavra, para dar liberdade à literatura.

Prefaciar este significativo, valioso e importante trabalho poético foi, portanto, um privilégio e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade; para tanto, recorri ao estimado Olegário Alfredo, mais conhecido por mestre Gaio.  Cordelista, graduado em letras, com mais de cem obras publicadas, integrante da academia Brasileira de Literatura de cordel; o qual após encantar-se com esta riquíssima escrita sobre a história do padre Victor, concluiu: “trata-se de um poema épico, com métricas variadas nas estrofes, não podendo assim classificá-lo como literatura de cordel. Notamos que em cada “canto” há variações nas estrofes, métricas e rimas, indo da sextilha, septilha, quadra e quintilha e, no final de cada canto temos um terceto, ao longo do poema, predomina a métrica do decassílabo”. Gilson Freire sabia o que estava fazendo quando se propôs a poetizar a vida do padre Victor, nesse desafiador gênero literário; pois esta obra, com nuances  de um cordel,  brilha pela beleza de seu ritmo bem compassado, com um sabor do toque de uma melodia, ao respirar imensa harmonia, que canta aos ouvidos das sensíveis consciências.

O que se sabe da biografia do Padre Victor está descrito nos poucos documentos que ele deixou em vida e nas dezenas de depoimentos de pessoas que o conheceram. São histórias passadas de pais para filhos que contam sobre a vida desse padre; uma vida genuinamente pautada no evangelho de Jesus Cristo. Uma trajetória que, entre muitas outras virtudes, é sustentada de humildade, total dedicação ao próximo e firme persistência para vencer os inúmeros obstáculos que encontrou em seu sacerdócio, principalmente o do preconceito racial.

Nota-se uma apurada pesquisa do autor que, com seu  profissionalismo, narrou minuciosamente, a vida desse brasileiro que nos enche de orgulho e que deveria ser reverenciado em todos os meios religiosos e por toda uma geração. E, se anteriormente sua história fora também contada pelo escritor e teólogo italiano Gaetano Passarelli, agora nos vem pelas mãos de Gilson Freire, contada em versos com a maestria de quem possui arte para resgatar a história de um homem que, como poucos, é um exemplo de verdadeiro cristão, para todos nós.

Nesta sensível narrativa, em que as palavras tem alma, singela beleza e força lírica, Gilson Freire não se preocupou com fórmulas estabelecidas, preocupou-se sim, com a cadência e emoção que move o espírito humano.

Este livro é um chamado à vida, para diversas reflexões que, entre outras, aborda o despojamento, a providência divina e os preconceitos; não só os raciais, mas todos os preconceitos que possamos imaginar; pois o ser humano, independente de sua cor, raça, credo, etc, é acima de tudo filho de Deus, mesmo que em seu íntimo acredite ou não Nele.

Belíssima narrativa que se inicia com o pedido, para que se atente a sua história, quando nos diz: “amigo, quero cantar-te agora\Uma ode que não soa a cantos afora.\Tem gente que a contou, e recontou,\Mas ninguém certamente a cantou.\Atente, amigo, a essa exemplar trajetória.\Do padre Victor é a mais incrível história.\(…) É encerrada pelo autor com um pedido a este mundo, tão vasto mundo, a sempre se lembrar do que o Cristo nos ensinou : “canta-o aos quatro cantos da Terra.\Canta que o amor a tudo supera.\Canta que a paz vence toda guerra,\Que o Mal só se suplanta com bondade,\E orgulho só se combate com humildade.\Vai, canta e convence,\Que a tudo e todos,\Só o Amor vence.”

Agora leitor, cabe a você imprimir a sua emoção em cada capítulo deste excelente trabalho.

*Texto de apresentação do livro.

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