'A cidade acabou. Estamos em pânico', diz morador de Santa Maria de Itabira


“A cidade acabou. Estamos em pânico”. É assim que o advogado e produtor rural Eugênio Pires Lage define a situação vivenciada em Santa Maria de Itabira, na região central de Minas Gerais, desde as primeiras horas da madrugada deste domingo, 21. O município foi atingido por uma forte chuva, que gerou deslizamentos de encostas, inundações e desabamentos de imóveis e soterramento de pessoas.

Segundo informações do Corpo de Bombeiros, pelo menos dois moradores morreram em decorrência da tragédia. A primeira vítima fatal, um homem de 39 anos, foi encontrada no bairro Poção e, a segunda, uma mulher ainda não identificada, foi localizada na Fazendo Oriente. Há ainda uma criança desaparecida.

 
 
 
 
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“Eu tenho 62 anos e nunca pensei que fosse passar por algo assim”, lamenta Lage, recordando que, como ele, boa parte da população acordou assombrada por um volume de chuva torrencial. Em seguida, começaram a surgir os primeiros vídeos e fotos registrando cenas de destruição. “Tenho visto vizinhos falando em pelo menos nove desaparecidos”, cita, adicionando que, em alguns bairros, parte da infraestrutura urbana ficou ameaçada. “São regiões em que casas foram ao chão, em que o calçamento foi destruído”, diz.

De acordo com um porta-voz da prefeitura do município, ao menos oito imóveis ficaram completamente destruídos no deslizamento de um barranco no bairro Poções. Além disso, a cidade ficou completamente alagada pelo transbordamento do rio Tanque. Ainda não há informações sobre a situação da zona rural porque, conforme a prefeitura, o município está sem energia elétrica e sem telefonia.

Fake news amplia angústia. A sensação coletiva de desespero foi ainda mais agravada diante do compartilhamento de notícias falsas que davam conta de que a barragem de água e sedimentos de Santana, que fica próxima de Santa Maria de Itabira, estava prestes a romper. “As pessoas ficaram desorientadas. Elas corriam na lama buscando uma rota de fuga”, relembra Eugênio Lage.

A informação já foi desmentida pela Vale, responsável pela operação no local. Em comunicado, a mineradora garantiu que os níveis de segurança dessa estrutura, bem como de outras da região, seguem estáveis.

Solidariedade

“Agora nós temos que unir forças com a comunidade, com as cidades vizinhas, para tentar recuperar um pouquinho do nosso município, que é pobre, que depende do fundo de participação e que vai precisar de apoio externo”, avalia o advogado Eugênio Lage, fazendo menção ao instrumento utilizado pela União para repassar verbas para os Estados brasileiros, cujo percentual, dentre outros fatores, é determinado principalmente pela proporção do número de habitantes estimado anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De fato, essa resposta solidária da população em apoio aos atingidos já pode ser percebida em toda Minas Gerais, sobretudo entre as cidades vizinhas. É o que confirma a assistente social Katia Fonseca, 46, que é membro de um grupo de doações que há anos se dedica à prestação de auxílio às pessoas em condições de vulnerabilidade social na região central do Estado. “Desde o início do dia, estamos focando nosso apoio a Santa Maria de Itabira”, comenta.

A voluntária assinala que a Prefeitura de Itabira tem dado direcionamento às pessoas e às organizações da sociedade civil que desejam contribuir de alguma maneira com as vítimas da tragédia.  “Criamos pontos de apoio nas escolas municipais para arrecadação de água, alimentos, roupas, materiais de limpeza e itens de higiene”, informa, comemorando a adesão popular à iniciativa.

“Não vamos medir esforços”

“Somos uma cidade vizinha à Santa Maria. Estamos há pouco mais de 30 km de lá. Então é natural que haja uma grande ligação entre os dois lugares”, garante Rodrigo Andrade, coordenador de comunicação da Prefeitura de Itabira, detalhando que o prefeito do município, Marco Antonio (PSB), orientou todas as secretarias a se mobilizarem como se a situação tivesse ocorrido na própria cidade. “Não vamos medir esforços e seguiremos à disposição para ajudar essa comunidade”, afiança.

Andrade lembra que, recentemente, foi criado um grupo integrado para resposta à situações de risco na região, entidade que é agenciada pela Defesa Civil. “O episódio de agora é a nossa primeira prova de fogo”, examina, reforçando que, prontamente, todo sistema de saúde foi posto à disposição.

Sobre doações feitas aos atingidos pelas inundações e deslizamentos, o coordenador de comunicação da Prefeitura de Itabira se diz surpreso com a rápida e ampla adesão da comunidade. “Tem muita coisa chegando aqui, muita mesmo. É um alento perceber essa mobilização, essa demonstração de solidariedade”, avalia. A primeira remeça de mantimentos deve seguir rumo à Santa Maria de Itabira ainda na tarde deste domingo. 

Ajuda externa será necessária 

A caminho do município, o deputado estadual Bernardo Mucida (PSB) lista as prioridades neste primeiro momento após o desastre: “Temos que socorrer as vítimas. Há pessoas desalojadas, pessoas soterradas e pessoas ilhadas. Neste sentido, desde cedo, estão sendo realizadas operações encabeçadas pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros. E há também ações humanitárias em curso, com recolhimento de donativos”.

Além dessas iniciativas emergenciais, o parlamentar acredita que será urgente discutir formas de prestar apoio à cidade. “Trata-se de um município pequeno, que vai precisar de ajuda externa para se restabelecer”, diz.

Mais cedo, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), foi às redes sociais manifestar que está mobilizado e que prestará suporte às cidades e comunidades afetadas pelas fortes chuvas.

“O Estado dará suporte a todas prefeituras e população que necessitem de ajuda”, garantiu o chefe do executivo estadual em uma postagem no Twitter, em que também falou sobre estar acompanhando as operações de resgate em Santa Maria de Itabira, na região central de Minas, indicou que um caminhão com ajuda humanitária com colchões e kits de higiene está sendo deslocado ao município e prestou solidariedade às vítimas.



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