Jeito Simples

Foto - Wilson Albino Pereira

Por: Wilson Albino Pereira

                                                                                                   @wilson.albinopereira

O céu nublado estava para desabar um temporal a qualquer momento. Eu rumava para estágio na redação do “Jornal Hoje Em Dia” quando, de repente, avistei Margarete. Ao me aproximar me identifiquei como sendo “um quase jornalista”, e ali, mesmo sem pauta, perguntei se ela me concedia entrevista. “Sim, sim”, cordial ela respondeu.

 

Há cinco décadas ela vive na capital das Minas Gerais. Há 30 anos que ganha a vida varrendo as vielas do Parque Municipal. Embora Margarete Maria da Silva resida na cidade grande, sua alma ainda é sertaneja demais. O jeito simples contrasta com a aparência exótica. Feito um imã, ela atrai a atenção de todo passante, espalha sorrisos, acenos e abraços a todo o momento.

 

Perguntei se a popularidade a incomodava. Sua resposta remeteu-me ao livro de Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas – “Nada. Gosto. Sô diferente de todo mundo”, afirma.

Margarete, nos momentos de folga cuida das criações. “Noveleira” que é, diz que distração melhor “tá pra existir”. Já perdeu a conta de quantas vezes as pessoas perguntam qual a razão de se enfeitar tanto, e se não dói transpassar o rosto daquela forma. “Coloquei uns brincos quando tinha oito anos. Imitei uns índios que vi em um filme. Num doeu e nem dói não. Nada, nada, nada”, reforça. Quando perguntei se lhe faltava algo para alcançar a felicidade, ela olhou-me nos olhos e disse: “Já sou muito feliz e muito grata porque tenho de um tudo”, explica. Nos despedimos e antes que eu retomasse meu rumo ouvi ela dizer: “ei, jornalista… Boa sorte! Tomara que seja feliz na sua profissão”. Ela nem imagina, mas há tempos que essa porra já é minha vida.

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